sábado, 22 de maio de 2010

Geoconservação na Legislação Ambiental Brasileira

(por Ricardo Fraga e José Brilha. Universidade do Minho. Portugal)
Considerando as unidades de conservação (UC) estabelecidas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), é possível o enquadramento e proteção do património geológico, em algumas das categorias estabelecidas por esta lei. Porém, a grande maioria das UC no Brasil, está centrada apenas na proteção da biodiversidade, verificando-se uma grande negligência com os aspectos associados aos elementos abióticos do meio natural.

Em 1997, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) institui a Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP) com o principal objetivo de elencar os geossítios brasileiros para a lista indicativa global de sítios geológicos (GILGES – Global Indicative List of Geological Sites), um inventário de sítios geológicos de âmbito mundial, atualmente desativado, criado pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS – International Union of Geological Sciences).
Apesar desta iniciativa internacional estar presentemente inativa, a SIGEP permanece em atividade, com uma metodologia baseada na proposta individual e espontânea da comunidade geocientífica do Brasil, de geossítios passíveis de serem descritos e publicados por esta Comissão.

A publicação desses geossítios na lista da SIGEP, ou mesmo a sua inserção na lista do Património Mundial Natural da UNESCO, não garante, por si só, a sua proteção efetiva. Desta forma, a proteção integral e a conservação dos geossítios brasileiros só podem ser asseguradas mediante a criação de unidades de protecção, baseadas nos mecanismos legais existentes no país.

No ano de 1937, publica-se o Decreto-Lei no 25, de 30 de Novembro, que organiza a proteção do património histórico e artístico nacional, o qual também sujeita ao tombamento (instrumento legal através do qual o valor cultural de um bem é reconhecido, instituindo-se sobre ele um regime especial de proteção) e proteção dos “monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza, ou agenciados pela indústria humana” (§ 2º do art. 1º, Capítulo 1).
Este decreto lei abre espaço para a proteção do património geológico brasileiro, de modo que os objetos de tombamento passam a pertencer à União, aos Estados ou aos Municípios.
De acordo com as tendências mundiais, nos anos 80 do século XX, a legislação ambiental brasileira é marcada por grandes avanços no que diz respeito à sua estruturação. Ao longo desta década destaca-se:
a) publicação da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal 6.938, de 31 de Agosto), criando o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), os sistemas de licenciamento ambiental e a regulamentação da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA),
b) Em 1988, foi promulgada a nova Constituição da República Federativa do Brasil, que dedica todo o seu capítulo VI ao Meio Ambiente e
c) Em 1989, foi criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o qual surge através da fusão de quatro entidades que actuavam na área ambiental (IBAMA-MT, 2008).

Em 1992, na Cimeira do Rio emanaram documentos e acordos internacionais focados na proteção ambiental e no desenvolvimento sustentável. Todavia, a maioria destes documentos possui um viés dirigido à proteção da biodiversidade, com exceção da Agenda-21 que destaca, em alguns capítulos, a necessidade de proteção de elementos da geodiversidade.

No ano de 1998, publica-se a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998), institucionalizando a atribuição de penas aos responsáveis por crimes ambientais. Em 2000, é publicado SNUC (Lei Federal 9.985, de 18 de Julho). O SNUC destaca claramente como um dos seus objetivos (Capítulo II)

“proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural” (Art. 4º, alínea VII) e “proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos” (Art. 4º, alínea VIII), apontando assim um grande avanço da legislação brasileira para a conservação dos elementos abióticos da natureza.

O património geológico brasileiro pode ser objeto de protecção através dos seguintes instrumentos:
a) Decreto-lei 25, de 30 de Novembro de 1937e
b) Lei Federal 9.985, de 18 de Julho de 2000, que institui o SNUC.

No primeiro caso, conforme Henriques et al. (2007), todos os bens tombados através do Decreto de Lei 25/37, ficarão sob tutela do Ministério da Cultura, entidade cuja aptidão e enfoque principal não estão necessariamente alinhados com a protecção e gestão ambientais. Assim sendo, o enquadramento de elementos do património geológico brasileiro neste instrumento legal só deve ocorrer no caso de haver uma conexão explicita com elementos de natureza cultural, ou cujo elemento da geodiversidade tenha sido alterado ao ponto das alterações se terem incorporado no local, elemento ou processo. Um exemplo que se enquadra neste caso é a Gruta do Bom Jesus da Lapa, uma caverna situada no Sudoeste da Bahia, nas margens do rio São Francisco, que é alvo de romarias há mais de 300 anos.

Já no segundo caso apontado, o património natural enquadrado na lei do SNUC será gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), que por sua vezes tá inserido no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ambos são órgãos efetivamente focados na conservação ambiental, de modo que a inserção do património geológico na lei do SNUC é mais apropriada e indicada para a maioria dos casos. Essa lei propõe dois grandes grupos de UCs, a saber:

a) Unidades de Proteção Integral – Que têm como objectivo básico preservar a natureza, livrando-a, tanto quanto possível, da interferência humana. Este grupo é constituído por cinco categorias de unidades de conservação (ICMBIO, 2008).
b) Unidades de Uso Sustentável – Têm como objectivo básico compatibilizar a conservação da natureza, com o uso sustentável dos seus recursos naturais. Este grupo é constituído por sete categorias de unidades de conservação (ICMBIO, 2008).

Apesar da lei do SNUC destacar a necessidade de protecção dos recursos abióticos nos seus objetivos, a lei ainda está essencialmente centrada na protecção da biodiversidade. Assim sendo, a protecção dos elementos da geodiversidade não se enquadram em todas as categorias estabelecidas nos dois grupos acima referidos.
Até ao presente, são poucas as unidades criadas com enfoque nos elementos da geodiversidade. Todavia, dando sequência à criação do Geoparque Araripe, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) tem projetos para a criação de uma rede brasileira de Geoparques, cujos limites de alguns deles coincidem com os limites de unidades de conservação já criadas a partir da lei SNUC.
Parte dos geossítios inventariados pelo SIGEP deverão estar inseridos na rede dos Geoparques, sabendo-se que esta categoria ainda não está contemplada na legislação nacional, seria oportuno enquadrar alguns destes locais nas categorias do SNUC no intuito de assegurar a sua proteção.

Ressalta-se que o Capítulo VIII do SNUC institui a figura da compensação por significativo impacto ambiental, ficando constituída a obrigação legal de todos os empreendimentos, causadores de significativo impacto ambiental, de adotarem medidas de compensação ambiental. Desta forma, os empreendedores ficam obrigados a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação por meio da aplicação de recursos correspondentes, no mínimo, a 0,5% dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento.

Este recurso representa uma alternativa interessante para a criação e implementação de UC, com enfoque nos elementos abióticos da natureza. Considerando o volume de recursos financeiros envolvidos com as atividades de infraestrutura e o setor industrial do país, a aplicação deste recurso para estes segmentos, financiando atividades de geoconservação, pode ter um forte viés educativo, no sentido de consciencializar os cidadãos para a necessidade de conservar o património geológico e o papel desempenhado por essas empresas na sociedade.
Destacam-se as empresas que utilizam diretamente elementos da geodiversidade nos seus processos, como por exemplo, as indústrias de mineração, transformação mineral, metalurgia, siderurgia, química, geração e distribuição de energia. Ao mesmo tempo, estas acções podem contribuir para a preservação ambiental, compensando os impatos decorrentes destas actividades. Apesar de iniciativas neste sentido já estarem em curso, considerando a dimensão económica destas empresas no Brasil e as oportunidades possíveis, ainda há muito espaço para o alargamento dessas iniciativas.

Com a divisão do IBAMA em 2007, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ficou incumbido da construção de mecanismos que proporcionem agilidade e transparência na aplicação dos recursos da compensação ambiental, de forma a consolidá-la enquanto instrumento estratégico de sustentabilidade das Unidades de Conservação (ICMBIO, 2008).
(Trabalho realizado com o apoio do Programa Alβan, Programa de bolsas de alto nível da União Européia para a América Latina (Bolsas no E07D400904BR e E07E400391BR) e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal))

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Cariri no Salão do Turismo

Os principais destinos turísticos do Ceará estarão presentes em mais uma edição do maior evento do turismo brasileiro, o 5º Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, que acontece de 26 a 30 deste mês, em São Paulo. As pequenas empresas não poderiam ficar de fora, já que são a grande maioria dos empreendimentos do setor. Participam do evento,diretamente apoiadas pelo Sebrae no Ceará, 25 empresas do litoral Leste e Oeste, extremo Oeste, Cariri e serras cearenses.

As empresas terão a oportunidade de promover e comercializar seus produtos e serviços diretamente com o público consumidor final que planeja as viagens das próximas férias. “É um momento importante para divulgarmos a nossa pousada”, afirma Josueno Feitosa, da Pousada Lagoa Seca, em Juazeiro do Norte, que participa, neste ano, mais uma vez do Salão doTurismo. De acordo com Feitosa,a participação no evento gera sempre uma grande expectativa. “Os resultados não vêm de imediato. É uma semente que plantamos e que germina ao longo do tempo, com muito trabalho e dedicação. Participar do Salão é como regar essa semente”, diz Josueno. Como resultado da participação em anos anteriores,hoje,5%dos hóspedes da pousada são turistas provenientes de São Paulo.

O Cariri participa em peso do Salão do Turismo, promovendo seus principais atrativos e produtos. Um dos destaques é o Geopark Araripe, único geopark do Hemisfério Sul do planeta reconhecido pela Unesco. O Geopark terá um espaço especial no estande do Cearáe, além disso,estará presente no Núcleo do Conhecimento, participando de uma mesa de debate sobre “Desenvolvimento Regional: o papel dos Geoparks”, com o coordenador executivo do Geopark Araripe, professor PatrícioMelo. O debate será no dia 29, às 17 horas, e terá a participação de Guy Martini, representante da Unesco/Espanha; Antonio Theodorovicz, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais; e Adriana Melo, do Ministério da Integração, que será mediadora.

No artesanato, o Cariri estará presente no estande da Ceart com a apresentação de produtos das Associações Mestre Noza e Mãe das Dores, ambas de Juazeiro do Norte, e do Mestre Expedito Seleiro, tradicional artesão de Nova Olinda. Outro espaço com a participação do Cariri será o da Rede deTurismo de Base Comunitária, organizado pelo Ministério do Turismo (MTur), onde a Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, terá um lugar de destaque.

Também durante o Salão do Turismo, a secretária de Turismo de Nova Olinda, Wyldiane Sampaio, entregará à coordenação do Programa de Regionalização do Turismo do Mtur, um relatório das ações realizadas pelo programa na tentativa de articular novas ações e investimentos públicos no Destino Indutor do Cariri.
(texto extraído do Jornal Diário do Nordeste, sex, 21 de maio de 2010)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Produtores Rurais Temem Criação de Geoparque

(Esta reportagem é um exemplo do quanto o Brasil ainda é carente em estudos sobre o trinômio. Mais uma vez eu reforço: Geoparques não tem vinculação com desapropriação de terras! Geoparques incentivam a permanencia das comunidades locais em sua área de abrangência.)


Proprietários e produtores rurais dos Campos Gerais já estão se mobilizando para conter o projeto de criação de um Geoparque na região. Na última terça-feira, a Federação de Agricultura do Estado Paraná (Faep) coordenou, por solicitação do núcleo de Sindicatos dos Campos Gerais, o encontro entre produtores, entidades classistas, técnicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa, da Mineropar e um representante da Unesco no Brasil.

Para os produtores, o projeto de Geoparques é bom, mas para ser implantado em regiões inóspitas, e não nos Campos Gerais. “A região já tem uma cadeia produtiva definida”, justifica a engenheira agrônoma, Sandra Queiroz, que no encontro representou a Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG). Para ela, os Campos Gerais já contam com um referencial, mas na tecnologia de ponta nas produções pecuária e agrícola. “Não cabe uma reestruturação com outro foco, o turismo por exemplo”, avalia.

Os proprietários que contam com terras em regiões que podem fazer parte de um possível Geoparque temem que haja desapropriação, nos mesmos moldes das Unidades de Conservação. “Entendo a resistência destes produtores, mas ela ocorre devido a desinformação”, explica o geólogo e professor do Departamento de Geociências da UEPG, Gilson Burigo Guimarães, que faz parte do grupo de estudos que está propondo, através de projeto, a criação do Geoparque nos Campos Gerais. Conforme o pesquisador, as Unidades de Conservação diferem dos Geoparques. “Este processo não envolve desapropriação”, garante.

Mesmo com a garantia dos pesquisadores, os produtores – através de pesquisas realizadas na Internet – alegam a desapropriação como negativa para a criação do Geoparque. Durante o encontro na Faep, a engenheira agrônoma, Daniele Sabatke, representando a Sociedade Rural dos Campos Gerais, discursou “comprovando” a necessidade de desapropriação de áreas privadas para a efetivação do projeto. “Busquei em outros Geoparques e fiz a comprovação”, explica Daniele. Conforme Gilson, a pesquisa foi realizada em Geoparques criados em outros países, portanto, com legislação diferente da aplicada no Brasil. “Aqui o único Geoparque criado, e que pode servir de exemplo, é o do Araripe”, destaca, lembrando que lá não houve a desapropriação.

O geólogo explica que a confusão se deve às Unidades de Conservação. “No Araripe acontece que muitas das áreas do Geoparque estão localizadas dentro destas Unidades”, destaca, lembrando que o mesmo aconteceria nos Campos Gerais, citando áreas dos Parques Estaduais de Vila Velha e Guartelá.

Ainda durante a reunião da Faep, o representante da Unesco, o engenheiro florestal Celso Shenkel, explicou sobre o processo legal para a criação de Geoparques no mundo. Conforme os produtores rurais, no caso dos Campos Gerais, a solicitação para estudos que viabilizassem um Geoparque dessa natureza deveria vir através da solicitação do Itamaraty, que por sua vez deveria receber a inscrição através da comunidade moradora e trabalhadora da região. “Conversamos com produtores e autoridades de municípios da região, e muitos nem sabiam deste projeto”, concluiu Sandra.

(texto extraído do Jornal Diário dos Campos; qui, 20 de Maio de 2010)

sábado, 8 de maio de 2010

Lançamento: Global Geotourism Perspectives



O Geoturismo é uma parte vital da agenda do turismo. Centra-se em experimentar as características geológicas da Terra de uma maneira que promova a compreensão dos problemas ambientais e culturais, valorização e conservação,promovendo o desenvolvimento local. Trata-se de criar um produto que protege o patrimônio geológico, ajuda a construir comunidades, divulga e promove a geodiversidade.

Global Geotourism Perspectives é uma coleção de estudos de caso que apoia estas iniciativas, fornecendo exemplos de reais eo desenvolvimento de geoturismo de todo o mundo. Com contribuições de uma equipe internacional de pesquisadores, especialistas, profissionais e gestores da área protegida, que ilustra como geoturismo está se desenvolvendo em países nos seis continentes, incluindo Austrália, Brasil, China, Grécia, Irlanda, Japão, Malásia, Maurícias, Omã, África do Sul e o E.U.A.

Global Geotourism Perspectives faz parte de um conjunto de dois volumes. Apresenta uma definição clara do geoturismo, bem como informações sobre suas características. Oferece informações sobre a valorização da paisagem, patrimônio geológico, gestão, interpretação, educação e futuro do geoturismo.

Importante informar o capítulo escrito pela profa. Dra. Jasmine Cardoso Moreira, da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR, que relatou algumas considerações sobre o geoturismo no Brasil.

VIVA ao trinômio! =D

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Proposta de Criação de Geoparque no Seridó - RN

Entre os dias 19 e 21 de abril, técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) estiveram na região do Seridó potiguar, para dar início ao estudo técnico e diagnóstico para criação do Geoparque Seridó, no estado do Rio Grande do Norte. A região do Seridó é conhecida pelo caráter excepcional de seu patrimônio geológico associado ao aspecto cultural.

A proposta em estudo do Geoparque Seridó inclui levantamento de campo dos diferentes geossítios; cadastramento desses geossítios em planilhas eletrônicas; obtenção de registros fotográficos e confecção de relatório apresentando diagnóstico sobre a proposta.

Ao final dos trabalhos, pretende-se ter catalogado em torno de 30 geossítios distribuídos nos municípios de Acari, Bodó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Jardim do Seridó, Lagoa Nova, Parelhas e São Vicente, perfazendo uma área com cerca de 100 km2. Todo o material obtido será divulgado no site da CPRM, incluindo texto explicativo, mapas geológico e geoturístico com locação de geossítios selecionados, modelo digital do terreno, aspectos sociais, culturais e turísticos e dados arqueológicos.

Os geólogos Carlos Schobbenhaus, coordenador nacional do Projeto Geoparques do Brasil, Rogério Valença, coordenador da Superintendência Regional de Pernambuco, e Marcos Nascimento, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), visitaram diversos geossítios durante o período, entre eles estão os de Serra Verde, Mirante Santa Rita, Mina Brejuí em Currais Novos, e Sítio Xique-Xique I em Carnaúba dos Dantas.

Em Currais Novos, no Campus da UFRN, foram apresentadas duas palestras “Projeto Geoparques do Brasil”, ministrada por Schobbenhaus, e “Por que Geoparque Seridó?”, pelo professor Nascimento.


Na foto, os geólogos geólogos Carlos Schobbenhaus, Rogério Valença e Marcos Nascimento.

Estudantes, professores, equipe do Sebrae, secretários de turismo e
proprietários de pousadas da região participaram do evento.

(texto extraído do Boletim eletrônico da CPRM, maio de 2010)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Função Social de um Geoparque

( por Rafael Celestino, ex guia e pesquisador do Geopark Araripe)




Penso que é interessante adequarmos os passos de criação de cada geoparque à realidade de cada país. No caso do Brasil, somos um país cheio de antagonismos e diferenças, do ponto de vista sócio-econômico, político e cultural.

A região do Cariri em especial é uma região de maioria carente, com um índice de analfabetização acima dos 50%. Ao contrário de países ricos que podem já iniciar um geoparque voltado ao geoturismo, penso que no caso do Geopark Araripe isso não funcionaria.

Nossa condição essencial é o contato com as comunidades residentes no entorno do geossítio, para que elas não apenas se sintam parte do geoparque, mas também o desejem construí-lo. O trabalho de educação ambiental aqui é outro passo essencial, já que posso afirmar que não temos o costume de um comportamento voltado a preservação do meio ambiente. Isso sim é a base para se conceber um geoparque com sucesso aqui. E simultaneamente deve-se constituir uma rede de contatos entre hotéis, pousadas, restaurantes, órgãos de interesse, sejam públicos, privados, ONG´s ou OSCIP´s, visando a consolidação do geoturismo e o fortalecimento dos trabalhos sociais do geoparque .

É necessário que todos estejam cientes do que é um geoparque, qual sua função e seus objetivos, antes do mesmo ser efetivado.

Cada geoparque nos remete à realidades diferentes, de modo que não existe uma fórmula geral para se fazer um geoparque com sucesso. O que pode dar certo em determinada região, pode não funcionar bem em outra. Pela minha vivência e observação eu definiria como passos essenciais os seguintes pontos:

* Das pessoas envolvidas: É necessário que as pessoas centrais envolvidas no processo de conceber o geoparque e levá-lo adiante sejam pessoas mediadoras, de caráter apaziguador, e capazes de compreender o geopark como um produto de cunho coletivo e para utilidade pública (muitas forças podem surgir, querendo se favorecer do projeto, prejudicá-lo, ou mesmo distorcer os seus objetivos. A equipe do geoparque deverá saber lidar com isso).

* Estudo social, político, econômico e ambiental da área onde o geoparque será proposto, identificando potencialidades e fragilidades. Já identificar quais serão as possibilidades de financiamento do geoparque (público, privado, parcerias, etc..)

* Proposição prévia da área do geoparque e dos seus objetivos levando-se em conta o estudo anterior.

* Apresentação da proposta às comunidades envolvidas diretamente, através de palestras, encontros, etc, para que possam apontar sugestões específicas ao seu geossítio em particular, e ao projeto em geral, participando efetivamente da construção do geopark desde o seu ponto inicial (é importante que se façam esses eventos próximo a comunidade, para que ela se sinta realmente convidada a fazer parte do projeto).



* Definição do projeto completo do geoparque. Apresentação deste projeto a todas as partes envolvidas (principalmente os envolvidos diretamente). Se aprovado, passar a fase de construção física do mesmo.

* Fazer o geoparque funcionar em todas as linhas propostas. Existem fragilidades que só o tempo e a experiência particular evidenciam. Sempre se poderá melhorar o geopark nesse exércicio. É importante que no corpo administrativo de cada geossítio a comunidade respectiva esteja representada (seja através de conselhos, de cargos, etc.), e esteja desenvolvendo sempre o geossítio, juntamente com as entidades públicas e/ou privadas. Ninguém sabe como fazer dar certo melhor, do que quem vive no local.


Espero que essas considerações possam ajudá-los. Lembro que são considerações feitas com base na minha vivência no Geopark Araripe. Claro que existem vários aspectos específicos que devem ser considerados também. Entretanto, são estes os que mais me valem como essenciais.

Bjão Shey!! E sucesso!!

(meus agradecimentos à Rafael, o Rafs!pela contribuição. Obs: as fotos desta postagem foram retiradas do Dossiê do Geopark Araripe)

terça-feira, 4 de maio de 2010

4° Conferência Internacional Sobre Geoparques da UNESCO


A 4 ª Conferência Internacional sobre Geoparks da UNESCO de 2010 foi realizada no Global Geopark Langkawi, primeiro geoparque mundial,na Malásia,sudeste asiático, entre os dias 09 e 15 de abril de 2010.

Langkawi é um dos geoparques ilha raro no mundo que compreende 99 ilhas, possui rochas mais antigas da região e o mais completo.

No site abaixo você encontra diversas informações sobre a Conferência, inclusive slides com apresentações de diversos pesquisadores sobre o trinômio e a Declaração de Langkawi.

< http://www.geoparks2010.com/ >

VIVA ao Trinômio! =D

Avanços do Trinômio GGG

(por Marcos Nascimento)

Caros,
Já venho trabalhando com o trinômio a um certo tempo (início de 2001 de forma mais tímida e a partir de 2004 de forma mais intensa) e vejo que muito se evoluiu no Brasil. Claro que ainda falta também "muito" para "pensarmos" em chegar perto de países europeus (como Inglaterra por exemplo).

Mas as coisas estão acontecendo e fico muito feliz vendo (e contribuindo com) isso. Livros estão sendo publicados, artigos em periódicos nacionais e internacionais (estes últimos esperem em breve), disciplinas (mesmo optativas em muitos casos) estão sendo lecionadas, alunos (de graduação e pós-graduação) estão fazendo/defendendo seus trabalhos.Enfim, o barco/trem/bonde está andando.

Mas porque o Marcos está escrevendo isso??
É porque ontem deparei-me com um item interessante que ainda não tinha acrescentado a minha lista de ações em favor da divulgação do trinômio no Brasil.

Em recente concurso (março de 2010) para o cargo de Professor Adjunto na área de Geografia Física na UFRN, pelo Departamento de Geografia, na relação de temas (11 ao todo) para a prova escrita e prática (esta última é uma aula que o candidato tem que dar), achei muito interessante o tema de número 9 -

"A contribuição da geografia física para o trinômio geodiversidade, geoconservação e geoturismo".

Isso mostra que o trinômio está sendo levado em conta também nos concursos públicos para docentes. Seria o primeiro no Brasil?? Alguém sabe de algum outro caso semelhante? Porém um fato me deixou curioso (ou mesmo preocupado) - a falta de publicações na lista de bibliografia sugerida para o concurso. Salvo engano nenhum livro citado menciono alguma coisa sobre o trinômio.

Mas pelo menos estamos vendo mais uma novidade em termos de divulgação da Geodiversidade/ Geoconservaçã o/Geoturismo.

Segundo Úrsula Ruchky, na UFMG também houve um concurso recente para uma vaga em "geodiversidade". O concurso foi no departamento de geologia mas a vaga era de um curso novo que está sendo criado em "ambiente e sociedade".

O concurso exigiu bacharelado em geografia, neste sentido, a idéia não foi do departamento de geologia em si e nem mesmo do de geografia e sim dos profissionais que estão responsáveis pela formatação deste novo curso.

De toda forma, a geodiversidade já faz parte da "nomenclatura" dos concursos, espero que novos abram por aí fortalecendo ainda mais o trinômio.

É isso vamos em frente!

Download: The History of Geoconsevation e Geodiversity

Olá meus caros leitores,

Em menos de uma semana conseguimos três obras de especial importância para os estudos acerca do trinômio Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo.

Disponibilizei dias atrás o livro Geotourism, de David Newsome e agora deixo a disposição o link para download dos livros:




The History of Geoconservation


Este livro é o primeiro a descrever a história da geoconservação. Inspira-se na experiência do Reino Unido, Europa e mais longe, para explorar temas como: o que é geoconservação, onde, quando e como isso começou, quem foi o responsável e como é que era diferente de todo o mundo? É uma obra publicada pela SociedadeGeológica de Londres.

download no site: <>



Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature




Publica por Murray Gray, a obra está dividida em oito capítulos:

1. Definição de Geodiversidade 2. Descrevendo a Geodiversidade 3. Valores da Geodiversidade 4. Ameaças à Geodiversidade 5. Conservando a Geodiversidade 6. Gerenciando a Geodiversidade 7. Comparando e Interagindo com a Geodiversidade e a Biodiversidade 8. Rumo a uma visão para a conservação da Geodiversidade


download no site : <>

Deixo também meus agradecimentos à Múcio Figueiredo por ter encontrado e disponibilizado os links em nosso grupo de discussão Geoturismo_brasil.

e vamo q vamo!!... =D

domingo, 2 de maio de 2010

Simpósio Nacional de Geomorfologia - SINAGEO


Aproveitar o espaço para divulgar o Simpósio Nacional de Geomorfologia - SINAGEO, que ocorrerá entre os dias 12 a 16 de Setembro de 2010, em Recife-PE.

Outros três eventos ocorrerão juntamente com o SINAGEO: I Encontro Ibero Americano de Geomorfologia; o III Encontro Latino Americano de Geomorfologia e I Encontro Ibero Americano do Quaternário.

Para maiores informações, veja o site:

www.ufpe.br/gequa

O evento contará com a presença de feras como Antônio José Teixeira Guerra, Mônica Marçal, Jurandys Ross, Gisele Daltrini (a confirmar) e o Prof. Diamantino Pereira da Universidade Uminho, fera no trinômio.

Mto bom o evento, vale a pena participar.

VIVA A GEOMORFOLOGIA =D

Por que Divulgar a Geologia

(por Katia Leite Manssur - DRM-RJ)

Apesar de ser clara a relação entre a biota e o sistema físico da Terra, em geral cada um deles é tratado de forma separada e com pesos distintos quando da gestão dos recursos naturais. Gordon e Leys (2001), baseados nos resultados de mais de 50 anos de trabalhos de inventário, divulgação geológica e geoconservação na Escócia, afirmaram que três grandes linhas devem ser unificadas para o sucesso de um programa de conservação do patrimônio natural: amplo conhecimento e aceitação da relação entre os sistemas físicos e biológicos da Terra; promoção da gestão sustentável do meio ambiente baseado na aplicação do entendimento público e do seu envolvimento nas questões relacionadas ao patrimônio natural.

Fica claro, portanto, que não se trata de discutir (ou provar) que um tipo de sistema é mais importante do que o outro e sim que ambos estão interligados, numa visão holística. O simples fato de que a geodiversidade é o substrato onde a vida se desenvolve e o homem constrói é motivo suficiente para ser tratada com a mesma importância que a biodiversidade.

Com base nestes conceitos é que se torna necessária a construção de uma agenda para proteção do patrimônio natural baseada na divulgação dos seus aspectos e não somente na fauna e flora e nas belas geoformas que a natureza produz. Assim, a importância científica e didática do patrimônio geológico deve ser tratada em igualdade de condições com sua beleza cênica, relacionada, em geral com seus atributos turísticos, que, apesar de importantes, não são os únicos a conferir valor ao monumento. A funçao do meio geológico como suporte para os sistemas ecológicos deve ser divulgada e esclarecida para o público em geral.

Brilha (2005) apresenta a execução das seguintes etapas como requisitos básicos para se promover a Geoconservação de uma área:

a) inventário: levantamento da área a ser inventariada em função dos critérios de avaliação/ descrição e escala de trabalho (Lima, 2008)

b)quantificação: busca demonstrar a relevância do patrimônio para dar suporte às ações de geoconservação, com o mínimo de critérios subjetivos. Em geral os métodos de avaliação quantitativa dos geossítios utilizam critérios de valor intrínseco, potencial de uso e necessidade de proteção para valoração do patrimônio geológico.

c) classificação: refere-se ao enquadramento dos geossítios de interesse na legislação de proteção. No Brasil não existe uma figura específica para proteção do patrimônio geológico dentro da Lei do SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação - Lei Federal 9985, de 18 de julho de 2000, que regula as áreas protegidas. Os sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontoógico, ecológico e científico, estão protegidos pela Constituição Federal (artigo 216) como patrimônio cultural brasileiro. Também cita em seu artigo 24, a categoria de patrimônio do tipo turítico como um bem e direito a ser protegido.

d) conservação: pressupõe a manutenção a integridade do geossítio, podendo incluir restrições de uso e até implantação de barreiras físicas para impedir a aproximação do visitante. Vale ressaltar que a retirada de amostras pode danificar o afloramento, suprindo algumas feições/estruturas raras ou didáticas que foram descritas, por exemplo, em publicações de referência.

e) valorização e divulgação: valorização significa o conjunto de ações executadas para demonstrar a importância do geossítio e, para este conceito, associa o exemplo dos painéis interpretativos, folhetos, mídia eletrônica, entre outros. A compreensão da populaçãodos fenômenos geológicos é essencial para a promoção da geoconservação, porém a divulgação da interpretação à sociedade deve ser feita desde que ela não leve perigo á integridade do local

f) monitoramento: acompanhamento sistemático da situação dos geossítios para verificação do possível alcance das ações antrópicas sobre eles. Vale ressaltar que algumas alterações podem ser naturais e a capacidade do local em receber visitantes deve ser avaliada.

(trecho da revista da USP; v.5p. 63-74, 2009)

sábado, 1 de maio de 2010

Geodiversidade

O geoturismo, antes de mais nada, fundamenta-se sobre três conceitos que complementam e interagem: geodiversidade, patrimônio geológico e geoconservação.

Geodiversidade refere-se à variedade de ambientes geológicos, fenômenos e processos geradores de paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que constituem a base para a vida na Terra, conforme defnição da Royal Society for Nature Conservation, da Inglaterra.

A geodiversidade apresenta um paralelo com a biodiversidade, pois, enquanto esta é constituída por todos os seres vivos do planeta e é consequencia da evolução biológica ao longo do tempo, a geodiversidade é constituída por todo o arcabouço terrestre que sustenta a vida. É resultado da lenta evolução da Terras, desde o seu surgimento. A diversidade geológica é uma das variáveis essenciais para a diversidade biológica. Ambas são responsáveis pela evolução do planeta.

A geodiversidade também apresenta grande amplitude ocorrendo desde a escala microscópica, como no cso de minerais, até em grande escala, como as montanhas. Cada parte do planeta, não importa o tamanho, apresenta uma diversidade própria.
O inventário da geodiversidade de um local e a seleção dos sítios representativos da sua história geológica são o primeiro passo para a determinação do patrimônio geológico, que formará a base para a geoconservação e o geoturismo.

Quando se aborda o geoturismo, consequentemente estão envolvidos os princípios da geoconservação e preservação da geodiversidade, que são o fundamento para a consciência sobre o meio ambiente.

(trecho extraído do livro Geoturismo em Curitiba, de Gil Piekarz (org))

Livro Geotourism, de David Newsome



Há muito tempo não escrevo nada aqui no blog por falta de tempo. Mas hoje quero deixar um presentão a todos os interessados na temática, o download do livro Geotourism, de Davidi Newsome.

http://ifile.it/dl

Claro, nenhum download substitui a obra original, mas diante das limitações e das dificuldades em se adquirir as principais referências sobre o trinômio no exterior, fica aí essa dica.

Meus agradecimentos â Múcio Figueredo, quem divulgou isso no nosso grupo de discussão.

Esta semana também ganhei de presente, do professor Gil Piekarz, o livro de sua autoria, Geoturismo em Curitiba; meus agradecimentos. E ainda adquiri o livro The UNESCO Araripe Geopark. Olha as coisas melhoraaaando. VIVA!=D

Saudações.
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