sexta-feira, 11 de junho de 2010

Entrevista: Geoturismo, com Antonio Liccardo

Entrevista sobre Geoturismo para o Jornal o Estado do Paraná com Antônio Liccardo

*Lígia Martone (jornalista) - Quais as expectativas com relação ao Geoturismo?
Antonio Liccardo – Esse segmento tem apresentado um crescimento surpreendente no Brasil todo e em vários estados existem pesquisadores desenvolvendo teses e trabalhos a este respeito. No meio acadêmico houve uma mudança fundamenta no modo de pensar desde o início das discussões sobre geoturismo e geodiversidade. Houve uma abertura do conhecimento a ser difundido na sociedade. Acho que esta é a essência do geoturismo. Quando falamos em geoturismo automaticamente estamos falando no trinômio geodiversidade-geoconservação-geoturismo. Acredito que a quantidade de trabalhos sendo desenvolvidos e o tanto de gente boa trabalhando em cima disso, a expectativa são de que em poucos anos, esse tema seja corriqueiro e passe a servir de subsídio para o setor do turismo.

*L.M. – De que forma o geoturismo contribui para a sustentabilidade e de forma ele pode gerar renda para uma determinada região?
A. L. – Creio que o papel do geoturismo, assim como do turismo em geral, é aguçar a consciência das pessoas em relação ao meio. Parto do princípio de que a gente só conserva aquilo que conhece ou que está consciente. Acho que as pessoas estragam, poluem e destroem por total inconsciência! Antigamente atribuía-se o turismo o papel de destruidor. Até hoje existe quem pense assim. A gente vê muito de uma política de fiscalização ao turista quando se trata de visitas à natureza. Acho que é preciso um investimento mais intenso de energia e recursos na educação do turista e da população, que eu traduziria como um despertar da consciência. Ora, uma pessoa que gosta de ler não queima livros, um apreciador da arte não destrói pinturas e esculturas. Assim acho que devemos fazer as pessoas apreciarem mais a natureza e elas não destruirão. Um delas é oferecendo informação da maneira mais palatável possível. Turistas hoje são vistos como um poderoso agente de manutenção dos pontos turísticos, afinal eles trazem dinheiro para as comunidades e sustentam os custos da conservação. O geoturismo, assim como o turista cultural atrai o melhor perfil de turista possível: aquele que é informado, consciente apreciador das culturas e das peculiaridades regionais e com maior poder aquisitivo. Ações que estimulem este tipo de turismo fazem a população orgulharem-se de sua natureza, fortalece a identidade local, melhoram a educação em ciências e as relações com o meio-ambiente. Acho que isso associado aos aspectos econômicos – geração de renda para a comunidade, capacitação de pessoas – como guias, funcionários de hotéis e restaurantes – é a fórmula básica para o desenvolvimento sustentável.

*L.M – O geoturismo e sustentabilidade estão diretamente envolvidos; deste modo você acha interessante a implantação de base de conhecimentos de sítios geológicos voltados ao turismo, nas escolas de ensino fundamental? Tem conhecimento, na atualidade, de que forma isto é passado para as crianças de 5° e 6° série?
A. L – Não tenho dúvida de que o conhecimento mínimo em geologia faz muita falta no ensino fundamental. Acho que se fala hoje em natureza de maneira muito distanciada e falta mais contato mesmo como o reino mineral. Temos um desafio enorme pela frente como sociedade: precisamos crescer, ampliar o conforto adquirido para todas as pessoas como casas, água encanada e etc. Tudo isso sub-entende ampliar a exploração mineral. Se evoluímos materialmente, como computadores, equipamentos, carros, estradas, prédios, tudo mesmo, significa que estamos aumentando nosso consumo de bens materiais. Então como ficará o meio-ambiente? Não basta colocar o problema na mídia e as pessoas ficarem chocadas com o que o homem está fazendo. É preciso encarar o desafio do desenvolvimento sustentável. Isso deve acontecer com qualquer ser humano desde o primeiro momento de compreensão , pois vamos precisar das soluções que estas crianças proporem. Existem algumas ações que dão bons sinais. A internet difunde muito rapidamente, inclusive entre crianças. A Mineropar tem um programa para levar a geologia às escolas do Paraná. É um projeto interessantíssimo, com distribuição de kits de amostras de minerais e rochas e cadernos de estudos específicos para a geologia e aproveitamento mineral.

( a entrevista na íntegra você encontra no site http://www.geoturismobrasil.com/)

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