sexta-feira, 23 de julho de 2010

Geopark Araripe Realiza Primeira Colônia de Férias


Com o tema “Venha se divertir preservando a natureza” o Geopark Araripe abre inscrições até segunda-feira, 26/07, para a primeira Colônia de Férias no Geopark Araripe. No ato da inscrição, basta um dos pais ou responsável pagar uma taxa de R$15,00 Alunos de escolas públicas pagam apenas meia, R$7,50. O objetivo, segundo a coordenadora, Neuma Galvão, é trabalhar com atividades que desenvolvam a coordenação motora das crianças, psicomotricidade junto ao trabalho de educação ambiental.

A colônia acontecerá de 26 a 30/07 no estande do Geopark que está montado no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti. As atividades terão início, pela manhã, das 7h30 às 11h30 e no período da tarde das 13h30 às 17h30.

Toda a programação de férias foi desenvolvida para 40 crianças, divididas em 20 por período, com idades a partir de seis a 12 anos. As crianças terão acesso a algumas das atividades desenvolvidas pelo GA, como observação de pássaros, o contato com a natureza, com a visita ao IBAMA e o piquenique na Nascente do Crato. Na programação consta ainda apresentação de vídeos, oficinas de peteca e bonecos e contação de histórias. Cada participante receberá uma muda de planta.

As inscrições podem ser feitas na sede do Geopark, localizada na Rua Teófilo Siqueira, 754, centro, Crato-CE. Informações podem ser obtidas pelo telefone (88) 3102. 1237.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Novidades no Blog



Olá queridos leitores,
hoje disponibilizei mais dois trabalhos na caixa Material para Download:
  • o GeoGlossário, um pequeno dicionário de conceitos geológicos-geomorfológicos;

  • e a dissertação Estabelecimento de critérios e parâmetros para a valoração do patrimônio geológico português, de Maria Helena Almeida da Fonseca.

Há também uma nova caixa de links intitulada Artigos GGG, que trará diversos artigos científicos sobre o trinômio. Hoje disponibilizei 12 artigos e mais os Anais do VIII Congresso de Geologia de Portugal, mais precisamente o volume 18.

Aproveito também para divulgar o Congresso Internacional de História e Patrimônio Cultural, que será realizado entre os dias 11 a 15 de outubro de 2010 na Universidade Federal do Piauí, em Teresina.

E qual a relação deste congresso com o trinômio?

Bem, o Simpósio Temático nro 18 intitulado "Patrimônio Ambiental:meio ambiente e desenvolvimento" é uma proposta do Mestrado de Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA-UFPI) e uma boa oportunidade de apresentarmos trabalhos na linha do triômio, que está intimamente ligado ao desenvolvimento sustentável.

Este evento é um espaço de discussão de saberes no campo da História, Arqueologia, Antropologia, Direito, Políticas Públicas, Educação, Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, com ênfase nesta edição para o patrimônio cultural de natureza imaterial [em 2010, completam-se 10 anos de aprovação do decreto 3.551/2000, que instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro] e para as reflexões sobre o ensino da cultura afro-brasileira e indígena.

Portanto, é um espaço privilegiado para intercâmbio de saberes, experiências e práticas no campo da produção acadêmica, científica e no ofício e modos de fazer de educadores e formadores de opinião, o que possibilitará discussões em níveis e tendências diversas, vez que congregará vários agentes sociais e instituições, engajados na defesa das fontes e manifestações culturais de interesse público.

Ao longo do evento ocorrerão conferências, mesas temáticas, comunicações [Simpósios Temáticos], mostra de filmes, exposições fotográficas e lançamentos de livros, além de apresentações de grupos artísticos locais.

Contará com profissionais, jovens pesquisadores e comunidade em geral, além de conferencistas e palestrantes locais, nacionais e de outros países. Este ano, contamos com as parcerias dos Programas de Pós-Graduação da UFPI [História, Educação, Políticas Públicas, Desenvolvimento e Meio Ambiente, Antropologia e Arqueologia] e com o Núcleo de Pesquisa IFARADA.

Mais informações sobre o evento no site < http://www.anpuhpi.org.br/congresso/apresentacao >

Um VIVA ao GGG! =D

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Metodologia de Valoração do Patrimônio Geológico I

Nas próximas postagens, apresentarei três metodologias de valoração do patrimônio geológico com base em referências bibliográficas européias. É importante observar, que qualquer avaliação que se faça do patrimônio geológico por qualquer uma das metodologias, ou outras que possam surgir, não é uma tarefa totalmente objetiva e simplificada, no entanto, apesar de seu carater subjetivo, é fundamental que se começe a exercitar neste sentido.

A primeira metodologia é de Cachao & Marques da Silva (2004) que apresentam uma metodologia simples, que foi criada em particular para o patrimonio paleontológico, mas passível de ser aplicada a outros tipos de patrimônio geológico.

Passa por avaliar e integrar o patrimônio paleontológico em função dos parâmetros estabelecidos para cada critério, avaliando assim as suas potencialidades. O quadro que se segue apresenta os critérios e respectivos parâmetros definidos por estes autores. Estes parâmetros nao apresentam índices de valoração.


Critérios para classificação do Patrimônio Geológico segundo o modelo português.



Além destes três critérios ainda se pode considerar outro tipo, os critérios econômico-recreativos, aos quais poderão estar associados os seguintes parâmetros: valor urbano, valor mineral, valor econômico, trabalhos públicos, viabilidade econômica, localização. Estes autores consideram ainda situacões que requerem uma proteção e conservação particulares, quando se analisam parâmetros como a vulnerabilidade, atividade extrativa, realizacão de obras públicas e erosão costeira, que afetem o patrimônio geológico em análise.

Em breve trarei mais dois modelos de valoração. Aguardem!

(Fontes: CACHAO, M.; MARQUES DA SILVA, C. (2004). Introdução ao Património Paleontológico Português: definições e critérios de classificação. Lisboa: Geonovas no18, 13-19 pp.

FONSECA, M. H. A. da. Estabelecimento de critérios e parâmetros para valoração do patrimônio geológico português. 2009. (Dissertação de Mestrado em Ordenamento do Território e Planejamento Ambiental) Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Portugal, 2009)

Geoconservação e Desenvolvimento Sustentável na Chapada Diamantina - BA

Como eu já havia anunciado, neste próximo dia 26 de julho de 2010, teremos a defesa da tese Geoconservação e Desenvolvimeno Sustentável na Chapada Diamantina - BA, de Ricardo Fraga, doutorando da Universidade do MInho, em Braga, Portugal.
Abaixo segue o resumo de seu trabalho que foi disponibilizado por Ricardo ao grupo de discussão. Em breve estarei disponibilizando o trabalho completo. É a Bahia sendo vista na terra dos "portugas".


Resumo
A conservação de elementos do patrimônio natural constitui uma necessidade para a manutenção da qualidade de vida de todas as espécies que habitam o planeta Terra. Mais do que isto, a conservação destes elementos reveste-se de um valor científico incalculável, uma vez que eles guardam a explicação para origem e evolução deste planeta e de todas as formas de vida que nele habitam. É importante considerar que a conservação deste patrimônio, não consiste apenas em ações restritivas, mas o seu uso para o lazer, na forma do turismo, ou para fins educativos e científicos, pode contribuir para o fortalecimento de identidades territoriais e representar uma atividade geradora de renda, fomentando o desenvolvimento sustentável. O patrimônio natural é composto por elementos bióticos, que integram a biodiversidade, e elementos abióticos, que compõem a geodiversidade. Historicamente, todas as iniciativas voltadas para a conservação deste patrimônio estiveram focadas, na sua quase totalidade, na conservação dos seus componentes bióticos, de modo que a conservação da natureza acabou por ser quase que um sinônimo exclusivo desta vertente. Todavia, a conservação dos elementos de destaque da geodiversidade, cujo conjunto representa o patrimônio geológico, é conhecida por geoconservação e foi relegada a um papel menor, ou mesmo inexistente, dentro das temáticas de conservação da natureza. No final da década de 80, do século XX, a geoconservação começa a despontar no cenário mundial. Antes desta época, as iniciativas focadas na conservação do patrimônio geológico se davam de maneira esparsa ou isolada, e praticamente restrita ao continente europeu. Entretanto, após a criação da Global Indicative List of Geological Sites - GILGES, no ano de 1989, pela International Union of Geological Sciences - IUGS, esta temática começa a ser sistematizada e difundida em nível global. A Chapada Diamantina é uma região situada na porção central do estado da Bahia, no nordeste brasileiro, dentro do contexto geológico do Cráton do São Francisco. Este território abriga uma geodiversidade constituída por um conjunto de rochas sedimentares, localmente com baixo grau de metamorfismo, de idade proterozóica, reunidas estratigraficamente nos Grupos Rio dos Remédios, Paraguaçu, Chapada Diamantina e Una. Sobre estas rochas se desenvolveram relevos serranos, planaltos e sistemas cársticos, que hoje em dia representam importantes atrativos turísticos. Para além disto, esta geodiversidade guarda informações importantes para a compreensão da evolução geológica do planeta Terra, desde o Éon Proterozóico. No âmbito desta tese de doutoramento foi realizado um inventário do patrimônio geológico da Chapada Diamantina, que resultou em um levantamento de 40 geossítios, na sua maioria de interesse geomorfológico. Em seguida estes geossítios foram sujeitos a uma valoração, através de uma proposta de metodologia baseada em quatro categorias de valores: intrínseco (Vi), científico (Vci), turístico (Vt) e de uso e gestão (Vug). A partir destes valores foram calculados os usos potenciais para fins científicos (VUC), turísticos (VUT), de conservação (VC) e a Relevância (R) dos locais inventariados. Para os locais que obtiveram VC acima da média obtida para o conjunto de geossítios, foram propostas ações de interpretação, valorização, divulgação e monitoramento. Estas ações integram um plano de geoconservação, cuja implementação poderá contribuir para a criação de geoparques. Neste sentido, foi também proposta, no âmbito deste plano, uma metodologia para a delimitação destas unidades, baseando-se na interseção dos limites municipais, com os limites geológicos, estruturais e morfológicos da Chapada Diamantina. Como resultado desta metodologia propôs-se a criação de três geoparques na região. O plano de geoconservação e a proposta para criação de geoparques deverão contribuir para conservação, valorização e promoção e do patrimônio geológico da Chapada Diamantina. Estas propostas também vão contribuir para a criação de alternativas sustentáveis de geração de renda através do geoturismo, favorecendo a consolidação do desenvolvimento sustentável naquele território e o fortalecimento da sua identidade cultural.
(Sucesso ao Ricardoo!!)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mapa de Localização dos Geoparks Europeus

O mapa abaixo mostra a localização de 35 Geoparks europeus.
Atualmente, existem em todo o mundo 68 geoparques, sendo que, no Brasil, existe apenas um, o Geopark Araripe, ao sul do estado do Ceará, criado em 2006. Dois fortes candidatos brasileiros à se tornarem Geoparks são o da Bodoquena e o Quadrilátero Ferrífero.




1- Réserve Géologique de Haute Provence – FRANÇA
2- Vulkaneifel European Geopark – ALEMANHA
3- Petrified Forest of Lesvos – GRÉCIA
4- Maestrazgo Cultural Park – Aragon, ESPANHA
5- Psiloritis Nature Park – GRÉCIA
6-Terra.Vita Nature Park – ALEMANHA
7- Copper Coast Geopark– IRLANDA
8- Marble Arch Caves European Geopark– IRLANDA
9- Madonie Geopark – ITÁLIA
10- Rocca di Cerere – ITÁLIA
11-Nature Park Steirische Eisenwurzen – ÁUSTRIA
12- Nature Park Bergstrasse Odenwald – ALEMANHA
13- North Pennines AONB – INGLATERRA
14- Park Naturel Régional du Luberon – FRANÇA
15- North West Highlands – ESCÓCIA
16- Geopark Swabian Albs – ALEMANHA
17- Geopark Harz Braunschweiger Land Ostfalen Geopark – ALEMANHA
18- Hateg Country Dinosaurs Geopark – ROMÉNIA
19- Beigua Geopark – ITÁLIA
20- Fforest Fawr Geopark – PAÍS DE GALES
21- Bohemian Paradise Geopark – REPÚBLICA CHECA
22- Cabo de Gata – Nijar Nature Park – Andalucia, ESPANHA
23- Naturtejo Geopark – PORTUGAL
24- Sierras Subbeticas Nature Park – Andalucia, ESPANHA
25- Sobrarbe Geopark – Aragon, ESPANHA
26- Gea Norvegica – NORUEGA
27- Geological, Mining Park of Sardinia – ITÁLIA
28- Papuk Geopark – CROÁCIA
29- Lochaber Geopark – ESCÓCIA
30- English Riviera Geopark – INGLATERRA
31- Adamello – Brenta Nature Park – ITÁLIA
32- Geo Mon – PAIS DE GALES
33- Arouca Geopark – PORTUGAL
34- Shetlands – ESCOCIA – UK
35- Chelmos Vouraikos – GRECIA

Mais informações < www.geoparquenaturtejo.com >

sábado, 17 de julho de 2010

Proposta de Quantificação da Geodiversidade da Chapada Diamantina - BA

(Texto de Ricardo Fraga
Aluno de doutoramento da Universidade do Minho – Braga/PT)




A descrição, representação e valoração de elementos da natureza é um tema recorrente na história da humanidade. De acordo com Humboldt (2007), esta temática esteve presente em todas as civilizações, sendo abordada de maneiras diferentes em cada uma delas. Numa análise sobre o papel e formas de representação da natureza para os povos da antiguidade clássica, este autor estabelece que para abarcar a natureza em toda a sua magnitude, temos de apresentá-la segundo dois pontos de vista: de uma forma objetiva, enquanto manifestação efetiva, e outra enquanto reflexo dos sentimentos humanos. Esta premissa de Humboldt (op cit) é um ponto de partida crucial para qualquer metodologia de quantificação dos elementos da natureza, uma vez que ela exprime a impossibilidade de estabelecer uma metodologia que consiga suplantar a subjetividade inerente ao sentimento humano e expressa a necessidade de se buscar uma representação objetiva do meio natural.

Reynard (2005) defende que os estudos relacionadas com a paisagem estão divididas em dois domínios. Por um lado, a abordagem naturalista, que considera as relações entre os vários componentes objetivos da paisagem (elementos bióticos e abióticos) e constituem as bases dos ecossistemas. Por outro lado, a abordagem humanística e cultural, que tenta compreender as representações subjetivas da paisagem pela humanidade (percepção humana).

Com a crescente importância da temática da geoconservação na segunda metade do século XX, incluindo a promoção do patrimônio geológico e da criação de geoparques, diversas foram as metodologias propostas para a quantificação dos elementos da geodiversidade (Rivas et al., 1997; Brilha, 2005; Bruschi & Cendrero, 2005; Coratza & Giusti, 2005; Serrano & Gonzalez-Trueba, 2005; Pralong, 2005; Pereira, 2006, Zouros, 2007 e García-Cortés & Urquí, 2009). Todavia, este conjunto de propostas foi elaborado, na sua quase totalidade, no âmbito de uma realidade européia e com uma abordagem local; duas das propostas, porém, têm uma aplicação mais universal (Brilha, 2005; García-Cortés & Urquí, 2009).

Considerando-se as condições intrínsecas e as especificidades dos geossítios inventariados na Chapada Diamantina, bem como o contexto sócio-económico e ambiental onde os mesmos estão inseridos, observa-se um grande contraste com a realidade européia, onde a avaliação, a conservação e a promoção dos geossítios se configuram de uma maneira muito diferente da realidade observada no Brasil em geral. Sendo assim, constatou-se a necessidade de elaboração de uma proposta específica e baseada no contexto e nas especificidades daquela região.

Foi estabelecido um conjunto de parâmetros a serem considerados, os quais foram pontuados de zero (ausência) até quatro (pontuação máxima) e agrupados em categorias de valores conforme descrito seguidamente:

Valor Intrínseco (Vi): nesta categoria foram reunidos quatro parâmetros associados diretamente aos aspectos inerentes ao geossítio, independentemente do seu eventual uso ou de uma avaliação funcional do local.
Nesta categoria avalia-se: 1) a raridade, 2) a integridade, 3) a vulnerabilidade associada aos processos naturais e 4) a variedade de elementos da geodiversidade que o local apresenta.

• Valor Científico (Vci): reúne um conjunto de quatro parâmetros, que permite a avaliação do potencial científico do geossítio, enumerados a seguir: 1) trabalhos de investigação realizados no local, 2) as suas potencialidades para ilustrar processos geológicos ou aspectos relevantes da geologia da área, 3) a sua relevância didática e 4) a variedade de elementos relacionados com outras temáticas de estudo associadas (biologia, história, arqueologia, etc.).

• Valor Turístico (Vtur): esta categoria reúne um conjunto de cinco parâmetros que permite uma avaliação da realidade atual referente à utilização turística do geossítio. Sendo assim, engloba as características vinculadas 1) ao seu aspecto estético, 2) à acessibilidade, 3) à presença de infra-estruturas, 4) à utilização do local no momento presente e, por último, 5) à eventual presença de medidas de controle do número de visitantes, o que permite uma avaliação futura da capacidade de carga do geossítio e da sua relevância, em termos de atrativo turístico.

• Valor de Uso/Gestão (Vug): integra um conjunto de sete parâmetros, ligados 1) à relevância cultural, 2) à relevância econômica vigente, 3) nível oficial de proteção, 4) possibilidade de uso econômico, 5) vulnerabilidade perante o uso antrópico, 6) população e 7) condições sócio-económicas dos núcleos urbanos mais próximos.
Este conjunto de critérios permite uma avaliação dos impactos sociais de utilização futura do geossítio, bem como da viabilidade de aplicação de investimentos para a sua valorização.

Após a quantificação de cada parâmetro, foram obtidas as médias aritméticas para cada categoria de valor, tendo-se obtido a pontuação final para o Valor de Uso Científico (VUC), o Valor de Uso Turístico (VUT) e o Ranking de Relevância (R) para o conjunto dos geossítios inventariados. Calculou-se também o Valor de Conservação (VC) que é indicativo da importância do geossítio em termos de conservação. Para o cálculo destes valores foram adotadas as seguintes ponderações:

• Valor de Uso Científico (VUC): avalia o potencial uso do geossítio para fins científicos e foi obtido a partir da média ponderada dos valores intrínseco (Vi) e científico (Vci).
• Valor de Uso Turístico (VUT): avalia o potencial uso turístico do geossítio e foi obtido a partir da média ponderada dos valores turístico (Vtur) e de uso/gestão (Vug).
• Valor de Conservação (VC): aponta o potencial uso do geossítio para fins de
conservação do patrimônio geológico e foi obtido a partir da média ponderada entre os valores intrínseco (Vi), científico (Vci) e de uso/gestão (Vug), onde foi atribuído um peso maior ao Vi.
• Relevância (R): a seleção dos geossítios inventariados teve como ponto de partida os locais consagrados pelo turismo na região, aos quais foram somados os pontos relacionados com os atributos científicos e didáticos, que são importantes para a compreensão da história geológica da Chapada Diamantina.


Sendo assim, a relevância dos geossítios foi obtida a partir dos índices Valor de Uso Científico (VUC) e Valor de Uso Turístico (VUT), divididos por 20, que representa o número total de parâmetros adotados na avaliação dos geossítios, sendo posteriormente multiplicados pelo número 100, com o intuito de normalizar estes valores.

No final, foi feita uma média ponderada, onde foi atribuído um peso maior ao VUC. Através do Ranking de Relevância (R) estabelece-se o nível de influência para os geossítios (local, regional, nacional ou internacional).

O cálculo de cada uma destas variáveis foi realizado conforme as seguintes equações:



VUC= (2*Vi + 3*Vci)/5
VUT= (3*Vtur + 2*Vug)/5
VC= (3*Vi + Vci + Vug)/5
R= {2*[(VUC/20)*100] + [(VUT/20)*100]}/3



Os resultados obtidos permitiram uma seriação dos geossítios para cada tipo de uso pretendido (científico, turístico e conservação), bem como uma definição da sua relevância (local, regional, nacional e internacional). Na definição da relevância dos geossítios (R), foram estabelecidos os seguintes critérios:

• Geossítios de relevância local: R =<> valor médio de R para o conjunto de geossítios avaliados;
• Geossítios de relevância internacional: R > valor médio de R e, simultaneamente, os parâmetros A-02 e A-03 >= 3 e os parâmetros B-01, B-02, C-02 e C-03 >= 2.

Ressalta-se que, à exceção do parâmetro C-03 (Presença de infra-estrutura), este conjunto de parâmetros é utilizado na maioria das propostas de quantificação analisadas no âmbito deste trabalho, configurando-se como parâmetros de caráter universal, dotados de elevada importância no processo de avaliação dos geossítios.
(Este texto é um fragmento do artigo de Ricardo Fraga, doutorando em Geologia na Universidade UMinho, em Portugal. Ele está desenvolvendo sua tese intitulada Geoconservação e Desenvolvimento Sustentável na porção oeste da Chapada Diamantina - BA pela UMinho, em Braga, Portugal. Este artigo pode ser encontrado no seguinte site < http://metododirecto.pt/CNG2010/index.php/vol/issue/view/19 > Um belo trabalho, vale a pena conferir)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Iniciativas em Geoconservação no Brasil e no Mundo

A geoconservação surge como uma estratégia de conservar o patrimônio geológico, isto é, os recursos naturais não renováveis de valor científico, cultural, educativo ou de interesse paisagístico e recreativo, que sejam formações rochosas, estruturas, geoformas, acumulações sedimentares, ocorrências minerais, paleontológicas e outras que permitam reconhecer, estudar e interpretar a evolução geológica da terra.

Diversos países já possuem legislações em que há referências diretas sobre a proteção do patrimônio geológico. No Brasil os fenômenos geológicos têm sido protegidos de forma casual, principalmente a partir da criação de unidades de conservação, sendo frequentemente uma mera coincidência a ocorrência de sítios de interesse geológicos dentro das unidades.

No Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, (MMA, 2003) há uma pequena referência à proteção dos elementos geológicos em seu artigo 4, que destaca os objetivos da lei:

VI - proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;
VII – proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural;
XII – favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.

A Grã-Bretanha é pioneiro em geoconservação, tendo criado em 1944 um subcomitê de Reservas Geológicas do Comitê de Investigação de Recursos Naturais - NRIC, responsável inicialmente por um inventário de 390 localidades relacionadas ao patrimônio geológico.

Portugal iniciou seu inventário do patrimônio geológico a partir da elaboração de um projeto denominado “Patrimônio Geológico de Excepcional Interesse de Portugal”. O país também apresenta iniciativas educativas em relação à geoconservação como um projeto denominado “Geologia no Verão”, sob responsabilidade da Ciência Viva – Agência Nacional para Cultura Científica e Tecnológica, sendo patrocinado pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior. Este projeto tem contribuído para levar ao público leigo o significado dos objetos geológicos, sua utilidade e importância.

Outra iniciativa é o curso de mestrado Patrimônio Geológico e Geoconservação, criado em 2005 na Universidade do Minho. Esta pós-graduação tem como objetivo o desenvolvimento de capacidades em Geoconservação, aumentarem a consciência na educação para temas de sustentabilidade e permitir a troca de pesquisas.

A França não possui uma lei específica de proteção do patrimônio geológico, mas em 1913 foi criada uma lei para proteger monumentos históricos que incluíam cavernas com ocupação pré-histórica e minas antigas com elementos de valores históricos. Em 1930 foi criada uma lei de proteção dos monumentos naturais ou sítios de caráter científico permitindo a proteção dos sítios geomorfológicos e cavernas.

A Espanha iniciou seu Inventário Nacional de Pontos de Interesse Geológico em 1978 por iniciativa do Instituto Tecnológico Geomineiro - ITGEO. O patrimônio geológico espanhol está protegido em alguns marcos legais, como a Lei de Conservação dos Espaços Naturais e de Fauna e Flora Silvestre de 27 de março de 1989.

Na Itália a regulamentação das leis de proteção do patrimônio geológico é feita pelo Ministério do Meio Ambiente, o Ministério do Patrimônio Ambiental e Cultural e a Supervisão Arqueológica. Possui a Lei de 08 de agosto de 1985 que protege lugares de interesse geológico como as geleiras e os vulcões e a Lei de 06 de dezembro de 1991 que define como recursos naturais as formações físicas, geológicas, geomorfológicas e biológicas.

A Alemanha possui um dos mais antigos sítios geológicos em termos de proteção, o Drachenfels (a Montanha do Dragão). A necessidade de proteção dos sítios de interesse geológico passou a ter mais evidência e divulgação a partir da década de 1990, com a criação do primeiro Geoparque alemão, o Gerolstern, atualmente chamado de Geoparque Vulcaneifel, reconhecido pelo Programa Mundial de Geoparques da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (UNESCO).

Na Nova Zelândia o Departamento de Conservação iniciou ainda na década de 1980 um inventário de 2.500 locais de interesse científico. Na Austrália as estratégias de geoconservação foram desenvolvidas na Tasmânia, a partir da elaboração de um documento intitulado “Estratégias de Geoconservação da Natureza”. A China possui atualmente 85 geoparques nacionais reconhecidos pela UNESCO. Na Malásia, os estudos em torno da proteção de monumentos geológicos iniciaram-se entre 1976 e 1980, mas só se tornaram mais efetivos em 1996 com a criação do Grupo do Patrimônio Geológico.

No Brasil os esforços iniciaram na década de 1990, com a criação da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleontológicos (SIGEP), em março de 1997. A SIGEP é formada por nove instituições: Academia Brasileira de Ciências (ABC); Associação Brasileira de Estudos do Quaternário (ABEQUA); Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN); Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM); Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE); Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) e a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP).
(Fontes: (BRILHA, 2005); (AZEVEDO, 2007); (NASCIMENTO, MANTESSO-NETO, AZEVEDO, 2007)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Guia Operacional Exigido pela UNESCO para Criação de um Geoparque

O conceito de geoparque é recente e ainda gera algumas dúvidas como em relação aos procedimentos de sua criação. Abaixo estão listados os pontos exigidos pela UNESCO para que uma área venha a se tornar um Geopark.


01. A área deve se encaixar no conceito de geoparque da UNESCO, isto é, uma região com limites bem definidos, envolvendo um número de sítios do patrimônio geológico-paleontológico de especial importância científica, raridade ou beleza, não apenas por razões geológicas, mas em virtude do seu valor arqueológico, ecológico, histórico ou cultural.



Geopark Naturtejo

02. Os sítios geológicos devem estar protegidos e formalmente gerenciados;

03. Deve proporcionar o desenvolvimento ambientalmente e culturalmente sustentável promovendo a identificação da comunidade local com sua área e estimulando novas fontes de receita, especialmente o geoturismo;

04. Deve servir como ferramenta pedagógica para a educação ambiental, treinamento e pesquisa relacionado às disciplinas geocientíficas, proporcionando programas e instrumentos que aumentem a consciência publica sobre a importância do patrimônio geológico como museus geológicos e trilhas;


Geopark Arouca


05. Deve servir para explorar e demonstrar métodos de conservação do patrimônio geológico significativos que proporcionem informações em várias disciplinas geocientíficas tais como geologia econômica, física, mineração, estratigrafia, mineralogia, etc;

06. Medidas de proteção do geoparque devem ser estabelecidas em conformidade com os Serviços Geológicos ou grupos relevantes. O geoparque deve permanecer sob jurisdição do Estado no qual ele está inserido e é responsabilidade do Estado decidir sobre a proteção de determinados sítios;

07. A legislação nacional e local relativa à proteção dos geossítios deve ser obedecida e não deve haver comercialização de minerais e fósseis. Somente em certas circunstancias deve-se permitir a coleção limitada de amostras com propósitos educativos, e preferencialmente, de sítios modificados naturalmente;

08. O geoparque deve possuir um plano de manejo contendo uma análise de diagnóstico do território, do geoparque e de seu potencial para o desenvolvimento econômico local;

09. A cooperação entre autoridades públicas, comunidades locais, empresas privadas, universidade e grupos de pesquisas deve ser estimulada;

10. A designação de uma área como geoparque da UNESCO deve receber publicidade e promoção apropriadas a UNESCO deve ser informada sobre todos os avanços;

11. Se o território proposto para um geoparque for idêntico ou se sobrepor a uma área inscrita como patrimônio mundial ou como reserva da biosfera é necessário um esclarecimento antes de se submeter à proposta.
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