quarta-feira, 21 de julho de 2010

Geoconservação e Desenvolvimento Sustentável na Chapada Diamantina - BA

Como eu já havia anunciado, neste próximo dia 26 de julho de 2010, teremos a defesa da tese Geoconservação e Desenvolvimeno Sustentável na Chapada Diamantina - BA, de Ricardo Fraga, doutorando da Universidade do MInho, em Braga, Portugal.
Abaixo segue o resumo de seu trabalho que foi disponibilizado por Ricardo ao grupo de discussão. Em breve estarei disponibilizando o trabalho completo. É a Bahia sendo vista na terra dos "portugas".


Resumo
A conservação de elementos do patrimônio natural constitui uma necessidade para a manutenção da qualidade de vida de todas as espécies que habitam o planeta Terra. Mais do que isto, a conservação destes elementos reveste-se de um valor científico incalculável, uma vez que eles guardam a explicação para origem e evolução deste planeta e de todas as formas de vida que nele habitam. É importante considerar que a conservação deste patrimônio, não consiste apenas em ações restritivas, mas o seu uso para o lazer, na forma do turismo, ou para fins educativos e científicos, pode contribuir para o fortalecimento de identidades territoriais e representar uma atividade geradora de renda, fomentando o desenvolvimento sustentável. O patrimônio natural é composto por elementos bióticos, que integram a biodiversidade, e elementos abióticos, que compõem a geodiversidade. Historicamente, todas as iniciativas voltadas para a conservação deste patrimônio estiveram focadas, na sua quase totalidade, na conservação dos seus componentes bióticos, de modo que a conservação da natureza acabou por ser quase que um sinônimo exclusivo desta vertente. Todavia, a conservação dos elementos de destaque da geodiversidade, cujo conjunto representa o patrimônio geológico, é conhecida por geoconservação e foi relegada a um papel menor, ou mesmo inexistente, dentro das temáticas de conservação da natureza. No final da década de 80, do século XX, a geoconservação começa a despontar no cenário mundial. Antes desta época, as iniciativas focadas na conservação do patrimônio geológico se davam de maneira esparsa ou isolada, e praticamente restrita ao continente europeu. Entretanto, após a criação da Global Indicative List of Geological Sites - GILGES, no ano de 1989, pela International Union of Geological Sciences - IUGS, esta temática começa a ser sistematizada e difundida em nível global. A Chapada Diamantina é uma região situada na porção central do estado da Bahia, no nordeste brasileiro, dentro do contexto geológico do Cráton do São Francisco. Este território abriga uma geodiversidade constituída por um conjunto de rochas sedimentares, localmente com baixo grau de metamorfismo, de idade proterozóica, reunidas estratigraficamente nos Grupos Rio dos Remédios, Paraguaçu, Chapada Diamantina e Una. Sobre estas rochas se desenvolveram relevos serranos, planaltos e sistemas cársticos, que hoje em dia representam importantes atrativos turísticos. Para além disto, esta geodiversidade guarda informações importantes para a compreensão da evolução geológica do planeta Terra, desde o Éon Proterozóico. No âmbito desta tese de doutoramento foi realizado um inventário do patrimônio geológico da Chapada Diamantina, que resultou em um levantamento de 40 geossítios, na sua maioria de interesse geomorfológico. Em seguida estes geossítios foram sujeitos a uma valoração, através de uma proposta de metodologia baseada em quatro categorias de valores: intrínseco (Vi), científico (Vci), turístico (Vt) e de uso e gestão (Vug). A partir destes valores foram calculados os usos potenciais para fins científicos (VUC), turísticos (VUT), de conservação (VC) e a Relevância (R) dos locais inventariados. Para os locais que obtiveram VC acima da média obtida para o conjunto de geossítios, foram propostas ações de interpretação, valorização, divulgação e monitoramento. Estas ações integram um plano de geoconservação, cuja implementação poderá contribuir para a criação de geoparques. Neste sentido, foi também proposta, no âmbito deste plano, uma metodologia para a delimitação destas unidades, baseando-se na interseção dos limites municipais, com os limites geológicos, estruturais e morfológicos da Chapada Diamantina. Como resultado desta metodologia propôs-se a criação de três geoparques na região. O plano de geoconservação e a proposta para criação de geoparques deverão contribuir para conservação, valorização e promoção e do patrimônio geológico da Chapada Diamantina. Estas propostas também vão contribuir para a criação de alternativas sustentáveis de geração de renda através do geoturismo, favorecendo a consolidação do desenvolvimento sustentável naquele território e o fortalecimento da sua identidade cultural.
(Sucesso ao Ricardoo!!)

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