sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ciclo de Palestras Destaca Patrimônio Natural de Tibagi e Campos Gerais


Destacando Tibagi como um dos melhores municípios brasileiros para se desenvolver o geoturismo, o professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Antônio Liccardo, coordenou o “Ciclo de Palestras sobre o Patrimônio Natural de Tibagi e da Região dos Campos Gerais”, que ocorreu na última quinta-feira (11), no Teatro Municipal daquela cidade, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo. Com a participação de cerca de 150 professores da rede pública estadual de ensino em atividade de formação pedagógica, as palestras do ciclo foram acompanhadas por quase 300 internautas do Brasil e de Portugal - a partir da transmissão ao vivo no Portal da Prefeitura de Tibagi.
Como assinala Antônio Liccardo, a educação pode contribuir significativamente para ajudar as pessoas a entenderem que o turismo geológico interage com outros segmentos e se apresenta como um atrativo a mais nessa relação. Doutor em Geologia, ele acrescenta que o consumidor de geoturismo traz dinheiro, conhecimento e não agride a natureza. Ou seja, o geoturismo acaba resultando na geoconservação. Liccardo registra que o conhecimento sobre as potencialidades das cidades fortalece a autoestima da comunidade. É a informação como artifício para a melhoria da cultura e da educação.
Temas e repercussão
Nas seis horas de atividades do ciclo, as palestras trataram de temas como patrimônio geológico da região dos Campos Gerais; o potencial geoturístico de Tibagi; os fósseis encontrados na região; e a paisagem cultural e geodiversidade do Rio Tibagi. O evento contou com a presença do prefeito de Tibagi, Sinval Silva, que, se definiu como um aficcionado pelo geoturismo e pelos temas que envolvem a área. Ele disse: “Recebemos visitas de muitas universidades porque temos riqueza e diversidade de formações geológicas em nosso município”. Sobre a questão, Sinval Silva reforça a sua preocupação em desenvolver o município e a região - mas com sustentabilidade. “As ações da prefeitura – diante de todas as suas limitações – são pautadas pela sustentabilidade".
A participação de professores do ensino fundamental no ciclo se constitui num momento para a soma de informações e para se entender o significado do Rio Tibagi e do potencial do patrimônio natural do município – como temas para aulas. Professora do Colégio Leopoldina, Elaine Kern elogiou os temas e a dinâmica dos palestrantes. “Veja! O rio está aqui do lado e eu ainda não tinha percebido a importância de levar os alunos até lá para uma atividade de sensibilização”. Do setor administrativo do Colégio Irênio, Adair de Fátima Teixeira afirmou que os conhecimentos proporcionados pelo ciclo serão aproveitados nas aulas. “Foi uma interação produtiva. Vamos partilhar esses conhecimentos com os alunos".
Tecnologia e Educação
O ciclo se realizou a partir do empenho dos professores do Departamento de Geociências da UEPG como uma iniciativa inédita de Tibagi com a transmissão através da página www.tibagi.pr.gov.br, o que permitiu que um público amplo pudesse acompanhar os temas apresentados.
José Brilha, da Universidade do Minho (Portugal) saudou os colegas de profissão e parabenizou Antônio Liccardo e Gilson Burigo por sua preocupação em promover o patrimônio geológico dos Campos Gerais. Ainda estendeu agradecimentos ao município de Tibagi por organizar o evento. José Brilha registrou que sem a participação dos municípios e dos professores a conservação da natureza será difícil.
Os objetivos do evento foram capacitar tecnicamente agentes multiplicadores na educação e desenvolver a consciência coletiva sobre o patrimônio cultural. Os alunos ligados ao Departamento de Geociências da UEPG participaram de todas as atividades desenvolvidas na programação do ciclo a partir da internet. Coordenador de manutenção do Departamento de Tecnologia da Informação da Prefeitura de Tibagi, Jadir Orza, montou o aparato necessário para a transmissão. Ele defendeu que a tecnologia deve estar a serviço da educação – e que a experiência do município precisa se repetir em outras oportunidades abertas para o conhecimento.
Cinegrafistas e webmaster da Assessoria de Comunicação da Prefeitura trabalharam durante três dias na composição do espaço virtual - que oportunizou a participação dos internautas em tempo real. Por exemplo, o geógrafo Ícaro de Assis Brito acompanhou o ciclo de palestras desde o Centro Universitário de Belo Horizonte (MG). Na oportunidade, cumprimentou os palestrantes por abordagens ricas e preocupadas com a preservação do meio ambiente.
Resquícios da História
Professor e doutor em Geologia, Gilson Burigo Guimarães ressalta que as ações de conservação, educação e geoturismo podem e devem trabalhar em sintonia. Para ele, não se deve imaginar as ações isoladamente – porque o conhecimento compartilhado se traduz em melhoria na qualidade de vida para a comunidade. Burigo reforça que esse conhecimento do patrimônio não é algo isolado da comunidade - e que deve chegar até o morador e o visitante. Neste aspecto, Burigo observa que as paisagens dos Campos Gerais reservam resquícios da história e remetem há 300 milhões de anos – quando todos os continentes estavam unidos na Pangeia (continente único, supercontinente da Terra). Como exemplo, ele mostrou fotos de achados arqueológicos na região.
Élvio Pinto Bosetti, paleontólogo, destacou as incursões de acadêmicos de Geociências da UEPG pelo interior de Tibagi, na busca de registros para estudos de afloramentos de fósseis - por se tratar de um município com vasto campo de pesquisas. Ele cita que, nas escavações feitas para a pavimentação da Transbrasiliana (BR-153), estão afloramentos que rendem, pelo menos, mais dez anos de pesquisas. Élvio Bosetti observa que os achados na localidade de Barreiro são oportunidades para a exploração da história do planeta. Por essa riqueza de pesquisa, segundo ele, a Petrobrás esteve duas vezes na localidade – e se prepara para visitar novamente a região. “Temos vários artigos publicados sobre o assunto na Alemanha”, diz ele.
Retrato e Identidade
Maria Lígia Cassol Pinto, geomorfóloga, abordou o tema “Rio Tibagi – Paisagem Cultural e Geodiversidade”, sensibilizando os participantes para a importância da preservação da água e dos recursos naturais. Ainda intensificou a necessidade da atenção na parte da identidade cultural das comunidades. Ressaltando que águas são preservadas por lei, Maria Lígia lamenta: “Que pena! Deveriam ser preservadas por sensibilidade”. Ela considera que a paisagem do Rio Tibagi deve ser um retrato dos tibagianos; e que o Rio Tibagi deve refletir a identidade dos moradores da região.
Maria Lígia acentua que a paisagem se constitui numa herança - tanto do ponto de vista geológico quanto histórico. Na sua palestra, Maria Lígia registrou que os professores devem ir além do ensinar a ler e a escrever – porque para ela o trabalho do educador é fazer cidadania – que é ter participação naquilo que está em nosso favor. Ela registrou, ainda, que o Tibagi é um dos principais rios na composição da hidrografia do Paraná. Ressaltou a sua marcante presença na história e cultura paranaenses, dizendo que “desde o século XIX vem sendo mencionado por pesquisadores e naturalistas em função de suas potencialidades e da beleza cênica.
(Texto disponibilizado por Liccardo ao grupo geoturismo_brasil)

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