quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Geoconservação e Musealização: considerações sobre a proteção do patrimônio geológico

Resumo apresentado do 45° Congresso Brasileiro de Geologia. Autoria de Aline Rocha de Souza Ferreira de Castro e Deusana Maria da Costa Machado.

A relação entre os conceitos geoconservação e musealização é intensa. Esses processos são essenciais para a proteção do patrimônio geológico, mas é difícil saber se estão apenas interligados ou são o mesmo processo. Por isso, pretende-se discutir a relação existente entre a musealização e a geoconservação para melhor compreender esses conceitos. Os trabalhos consultados definem a geoconservação como a proteção e a gestão do patrimônio geológico, mas não explicitam a etapa anterior à proteção, quando um elemento da geodiversidade passa a ser considerado patrimônio. Portanto, a atribuição de valores e a re-significação da geodiversidade como patrimônio não estão incluídas neste processo. Já a musealização é caracterizada por um conjunto de ações como seleção, aquisição, pesquisa, conservação, documentação e comunicação/divulgação. A valorização da geodiversidade como patrimônio somada à geoconservação corresponde para as geociências ao mesmo processo que no campo museológico chama-se musealização. O que se convencionou chamar de geoconservação é uma especificação de um determinado grupo social (cientistas geólogos) que tem a geodiversidade como seu objeto de estudo, mas que pode estar inserido em uma realidade maior, chamada musealização. Os dois processos não são os mesmos, pois, a geoconservação não atribui valor patrimonial, mas depende desta valoração, tornando-os indissociáveis. Também é evidente que a musealização se aplica a uma ampla categorias de bens/objetos, enquanto a geoconservação se restringe à geodiversidade. As discussões específicas em torno da conservação do patrimônio geológico podem auxiliar na criação de técnicas e metodologias próprias e ampliar a “teoria da geoconservação” com o auxílio da teoria museológica, se for necessário. É através da musealização, processo já identificado na área acadêmica, que ocorre a valorização de um elemento/objeto como patrimônio. Isso também ocorre com a geodiversidade, que, sendo capaz de perder a sua “função de uso” e significados “originais” é re-significada enquanto patrimônio, sendo capaz de revelar um tempo e processos passados, estando no presente. Na prática, para que isso ocorra, a geodiversidade é submetida a vários procedimentos e técnicas específicas já conhecidas na Museologia. Estas podem ser descritas como atividades de selecionar (atividade crítica e especializada); adquirir, reunir, organizar, documentar, pesquisar (estudo/investigação), conservar, comunicar (exposições, ações educativas, publicações) e auxiliar na proteção/divulgação do patrimônio geológico. Além destes, existem outros pontos de convergência entre esses dois processos que merecem destaque. Como ambos lidam com patrimônio, eles têm um forte cunho político e ideológico. Esses processos extrapolaram o campo patrimonial. Uma vez que a musealização ampliou o sentido do museu, isso afetou também o campo geológico, pois os geosítios estando num território delimitado, com um elemento da geodiversidade passível de ser re-significado como patrimônio (musealizados), também são considerados museus. Isso amplia os horizontes para a proteção do patrimônio geológico e aguça as discussões entre as áreas envolvidas.

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