segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Geoparque Uberaba, Terra dos Dinossauros

google imagens, 2011.

Técnicos do projeto Geoparques do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) realizaram, no mês de janeiro, um encontro em Uberaba (MG) para discutir e avaliar a proposta em estudo da criação do Geoparque Uberaba Terra dos Dinossauros. A região é conhecida pelo caráter excepcional de seu patrimônio paleontológico e por sua bela paisagem natural.

Com recursos alocados de R$ 2,8 milhões, garantidos pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), a iniciativa busca valorizar um patrimônio paleontológico de valor universal e transformar Uberaba em referência para pesquisas e geoturismo, ampliando o importante complexo já instalado

Durante o encontro, diversos geossítios foram visitados, alguns reconhecidos mundialmente por conterem uma das mais ricas e diversificadas faunas de vertebrados e invertebrados do Cretáceo Superior brasileiro. Os depósitos fossilíferos estão inseridos nas formações Uberaba e Marília (Bacia Bauru), abrangendo uma ampla área geográfica do município de Uberaba. São descritos no local vários dinossauros, crocodyliformes, lacertíleos, quelônios, anfíbios, peixes, moluscos, crustáceos e vegetais. Os fósseis apresentam excelente estado de preservação e, juntamente com as rochas da região, retratam os ecossistemas terrestres que antecederam às grandes transformações ambientais do final da era Mesozóica. Dos 21 dinossauros descritos no país, cinco estão presentes em Uberaba, justificando o título dado ao município de capital nacional dos dinossauros.

A concretização da proposta de criação do Geoparque Uberaba Terra dos Dinossauros é encabeçada pelo Centro de Pesquisas Paleontógicas Llewellyn Ivor Price e Museu dos Dinossauros, ambos ligados à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

Em Peirópolis, bairro de Uberaba localizado a 25 km do centro da cidade, a iniciativa já conta com infra-estrutura de museu, área de escavações paleontológicas, laboratório de preparação de fósseis, centro de visitação com réplicas de dinossauros, além de inúmeras atividades, palestras, visitação dirigida, cursos de capacitação e projetos educacionais como o Programa de Treinamento de Estudantes Universitários (Proteu) e a Semana dos Dinossauros que se tornou o maior evento de ensino de paleontologia para o público infanto-juvenil do país, tendo recebido nos últimos cinco anos em torno de 6.500 participantes de dezenas de cidades

Histórico da proposta

Em 2010, a CPRM iniciou, juntamente com os responsáveis locais, a análise “in loco” da proposta do geoparque. Inicialmente foram descritos e cadastrados geossítios, que abrangem rochas da Bacia Bauru e Formação Serra Geral, no sentido de ampliar a influência e aumentar a visibilidade das atividades relacionadas às geociências e notadamente à paleontologia, já amplamente desenvolvidas no bairro de Peirópolis. Os pontos de visitação, espalhados pelo município de Uberaba, são sítios de escavação, áreas de relevância paleontológica e de beleza paisagística que retratam o contexto geológico e o ambiente de fossilização dos espécimes ali encontrados. Nestes sítios, será possível aprender sobre geologia, história da Terra e em especial sobre a paleontologia da região, que reúne inúmeros registros fossilíferos únicos no planeta, num projeto ímpar de popularização da informação científica, incentivando o turismo paleontológico. Nesses pontos serão montados painéis interpretativos sobre os paredões e afloramentos rochosos. As pessoas poderão aprender sobre geologia e paleontologia de forma natural.

Participantes

Participaram do encontro os geólogos Carlos Schobbenhaus, coordenador nacional do Projeto Geoparques (CPRM) e presidente da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), Andreá Trevisol, coordenadora regional desse projeto, e Lúcio Martins, ambos da Superintendência Regional da CPRM de Belo Horizonte, o paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, diretor do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price (Centro Price) e do Museu dos Dinossauros de Peirópolis, Vicente de Paula Antunes Teixeira, médico e coordenador do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM e a bióloga Mara Lúcia da Fonseca Ferraz da UFTM.

O Projeto Geoparques da CPRM

O Projeto Geoparques do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) representa importante papel indutor na criação de geoparques no Brasil, uma vez que esse projeto tem como premissa básica a identificação, levantamento, descrição, inventário, diagnóstico e ampla divulgação de áreas com potencial para futuros geoparques no território nacional. Para esse trabalho concorre a experiência do corpo técnico da empresa, além do aporte de estudos e propostas da comunidade geocientífica. Em alguns casos, essa atividade indutora é feita em parceria com pesquisadores de universidades e outros órgãos ou entidades federais, estaduais ou municipais que tenham interesses comuns, em consonância com as comunidades locais. A ação catalisadora desenvolvida pela CPRM representa, entretanto, somente o passo inicial para o futuro geoparque. A posterior criação de uma estrutura de gestão do geoparque e outras iniciativas complementares é essencial e deverão ser propostas por autoridades públicas, comunidades locais e interesses privados agindo em conjunto.

Geoparque (Geopark) é uma marca atribuída pela Unesco a uma área onde sítios do patrimônio geológico (geossítios) representam parte de um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. Um geoparque baseia-se na geoconservação, educação e geoturismo, valendo-se da geodiversidade do território e contando também com os patrimônios arqueológico, histórico-cultural e natural.

Um geoparque não é uma unidade de conservação, nem é uma nova categoria de área protegida, mas oferece a possibilidade de associar a proteção da paisagem e dos monumentos naturais com o turismo e o desenvolvimento regional.

Fonte: www.cprm.gov.br


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