sábado, 3 de março de 2012

Praça Geológica Lavas Almofadadas de Pirapora do Bom Jesus.

Próximo à cidade de São Paulo, às margens do Rio Tietê, em antiga rota dos Bandeirantes, rumo ao interior, antigo Sertão, existe uma feição geológica rara que somente agora passa a ser divulgada de forma mais efetiva para a sociedade.

A feição é de estruturas globulares de aproximadamente 50 cm originadas pelo rápido resfriamento de lava em ambiente subaquático, provavelmente marinho. Com o resfriamento quase que instantâneo, forma-se uma crosta endurecida, mas o material ainda plástico do interior rompe esta casca e origina outras estruturas globulares (figura abaixo), de tal forma que o conjunto todo parece uma pilha de almofadas, daí o nome “lavas almofadadas” ou em inglês “pillow lavas”.



Lava almofadada recente (“pillow lava”) obtida em fundo oceânico.

As estruturas globulares em rocha basáltica de Pirapora do Bom Jesus eram consideradas como produto de alteração pelo intemperismo, processo muito comum em nosso país, devido às chuvas e calor, que promove o esfarelamento das rochas duras e as tormam mais mole, parecendo estar podre, na forma de camadas concêntricas e arredondadas, como casca de cebola.

Em preparação de aula de campo para o curso de Geologia, em 1980, professores do Instituto de Geociências da USP estiveram na região, quando o Professor Mário Figueiredo se espantou ao ver as tais estruturas e exclamou: - isto são “pillow lavas!”, uma vez que tinha visto, durante seu doutoramento no Canadá, um filme da BBC de atividade vulcânica subaquática onde a constatação de como se formam é muito didática.

Desde aquela época, todo ano são feitas aulas de campo com alunos para visita de outro afloramento, um pouco melhor, numa área já urbanizada de Pirapora do Bom Jesus. A parada de ônibus com vários alunos olhando e fotografando o barranco chama a atenção dos moradores locais, sem ao menos saberem do que se tratava, ao ponto que o terreno ficou conhecido como “Terreno da USP”.

No dia 1º de março de 2012, foi dado o primeiro passo para suprir uma deficiência ainda comum no meio científico – que é a de não divulgar o que tem sido pesquisado e descoberto no âmbito universitário. Incentivados pelo Professor Colombo Tassinari, que tem um estudo mais recente sobre estas rochas vulcânicas, alunos do curso de Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental (LiGEA), Elthon Nakashima e Thiago Henrique, fizeram uma placa e folhetos com explicação simples e objetivas sobre a estrutura. Foi colocada a placa e inicia-se o processo de criação da Praça Geológica Lavas Almofadadas de Pirapora do Bom Jesus, que conta com apoio e interesse do Prefeito de Pirapora – José Carlos Alves, conhecido como Bananinha, e do Secretário de Turismo Hermar Pião, o qual tem a intenção de incluir esse ponto no roteiro turístico dos Bandeirantes.

O próximo passo será o desenvolvimento de projetos educacionais junto às escolas, a fim de promover a educação patrimonial e a preservação do local, que é um patrimônio geológico, em função da sua raridade e estado de preservação.

O presente projeto conta com financiamento do Fundo de Cultura e Extensão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.

Placa com texto explicativo sobre as lavas almofadadas e sua origem e importância


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