quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Valores da Geodiversidade

Em virtude da necessidade de conservar e gerenciar os recursos físicos do planeta, diversos autores vem discutindo acerca dos valores que eles possuem na natureza. De acordo com Murray Gray, em seu livro Geodiversity, de 2004, a geodiversidade possui seis valores: intrínseco, cultural, estético, econômico, funcional e científico/educacional.

O valor de uma coisa pode residir nela ou na utilidade que tem para algo exterior a si mesmo. O valor intrínseco, também conhecido como valor de existência, refere-se ao valor que as coisas tem simplesmente por aquilo que são e não pelo que eles podem ser usados pelo homem. É o valor mais difícil de descrever uma vez que envolve dimensões éticas e filosóficas da relação sociedade e natureza.
O valor cultural é concebido quando há uma ligação muito forte entre o homem e seu desenvolvimento local social, cultural e religioso. É o valor atribuído pelas sociedades em alguns aspectos do ambiente físico em virtude do seu significado social.



Entrada do município Castelo do Piauí (PI)...
... e a Pedra do Castelo, a maior referência cultural do município. 


























O valor estético refere-se ao apelo visual (e também dos outros sentidos) fornecido pelo ambiente físico. A ideia de que as paisagens naturais são consideradas esteticamente mais agradáveis surgiu com o movimento romancista do século XIX e persiste até os dias atuais. Assim como o valor intrínseco, também é difícil de ser mensurado devido à peculiaridade do que é considerado “belo”, tornando-o subjetivo, uma vez que depende do observador.


Mirante do Gritador no município de Pedro II. Geossítio de elevado valor estético.

O valor econômico é o mais objetivo fácil de avaliar, uma que a sociedade já está habituada a das valores aos bens e serviços utilizados. As sociedades humanas sempre dependeram dos minerais metálicos e não-metálicos para sua sobrevivência. A dependência se dá principalmente nos campos enegéticos, da obtenção de matérias-prima e da implantação de ocupação humana.


Opala, encontrada no município de Pedro II (PI) é usada com matéria-prima para produção de semijóias.

O valor funcional reconhece o valor da geodiversidade em seu local de origem, ao contrário do valor econômico, que só confere valor à geodiversidade após ela ser explorada. Este valor tem sido raramente discutido na conservação da natureza, mas os solos, sedimentos, relevo e rochas têm um papel funcional de sistemas ambientais físico e biológicos. Por sua vez podemos reconhecer duas subdivisões de valores funcionais: a primeira é o valor utilitário da geodiversidade in situ, ao contrário do valor extraído; e o segundo, refere-se ao valor funcional no fornecimento de substratos essenciais, habitats e processos abióticos que mantêm os sistemas físicos e ecológicos da superfície da Terra.
E por fim, o valor científico/educacional permite o homem reconhecer e interpretar a história geológica da Terra, melhorando a sua relação com a geodiversidade. O ambiente físico é o laboratório para as pesquisas científicas e por vezes o único local que fornece um teste confiável sobre muitas teorias geológicas. O valor educativo da geodiversidade está relacionado à educação em Ciências da Terra e pode ocorrer tanto direcionado ao público formal (ensino básico e superior) quanto ao público informal (não escolar).

(Este texto é um trecho de um artigo que produzi durante a disciplina Geoconservação e Geodiversidade, cursada na UFC)

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