domingo, 25 de janeiro de 2015

Geopatrimônio: debate conceitual

Há algum tempo venho questionando a utilização de alguns termos nas pesquisas que envolvem os 4Geos e, recentemente, em um artigo publicado no periódico GeoHeritage, o professor José Brilha aborda esta discussão, incluindo informações novas e importantes. 

Em uma de suas obras mais conhecidas, publicada em 2005, Brilha define patrimônio geológico como o conjunto de geossítios de uma determinada região onde ocorrem um ou mais elementos da geodiversidade com singular valor do ponto de vista científico, pedagógico, cultural e turístico. 

Sharples (2002) adota o termo geoheritage justificando que o patrimônio geológico remete à ideia de geologia, apenas, enquanto deveria estar associado à diversidade dos elementos da geodiversidade incluindo ai todos os processos geradores como preconiza o conceito de geodiversidade definido por Gray (2004) que é amplamente aceito pela comunidade científica. 

A professora Maria Luísa Rodrigues, em 2008, defende a utilização do termo Geopatrimônio (no inglês geoheritage) em detrimento do termo patrimônio geológico. O geopatrimônio é constituído por todo o conjunto de elementos naturais abióticos existentes na superfície da Terra que devem ser preservados devido ao seu valor patrimonial. Nesta definição o geopatrimônio inclui o patrimônio geológico, patrimonio geomorfológico, patrimônio hidrológico, dentre outros. 

Corroborando com Rodrigues, Mario Panizza (geomorfólogo e ex presidente da IAG) afirma que a Geomorfologia é uma Ciência da Terra independente da Geologia, sendo praticada por investigadores com formações acadêmicas de base muito diversas, além disso a separação entre a Geologia e Geomorfologia é baseada sequer num critério cronológico. A Geologia e Geomorfologia são citadas como critério nesta revisão conceitual porque frequentemente os demais tipos de patrimônio abiótico são negligenciados na literatura. 


O professor Leonardo Figueiredo (UFPB) discutiu estes termos em seu blog "GeodiversidadePB" afirmando que a adoção do termo geopatrimônio seria uma solução uma vez que agrupa os aspectos geológicos, geomorfológicos e de solo que apresentam valores excepcionais e que portanto merecem ser enquadrados como patrimônio. 

No artigo de Brilha (citado no início desta postagem) ele utiliza com mais frequência o termo geoheritage porém ainda como sinônimo de patrimônio geológico mas afirma que, uma ocorrência de natureza abiótica só pode ser considerada um geoheritage se possuir valor científico de relevância nacional ou internacional. Neste artigo também acrescenta termos novos conforme mostra o fluxograma abaixo: 


Fonte: Brilha, 2015.

Como mencionado, os elementos abióticos só podem ser considerados um geoheritage se possuir valor científico in situ (quando está no seu local de formação) ou ex situ (no caso das peças expostas em museus, por exemplo). Os demais elementos abióticos são agrupados em outras duas categorias que incluem os outros valores (educativo e/ou turístico): os sítios de geodiversidade (tradução nossa) - quando estão in situ - ou como elementos de geodiversidade - quando estão ex situ. Vale ressaltar, que mesmo agrupados em categorias diferentes, todos os elementos da geodiversidade que possuem algum valor podem e devem passar pelas estratégias de geoconservação. 

Neste mesmo artigo o professor José Brilha discute ainda as estratégias de inventariação e avaliação do geopatrimônio mas esta discussão aqui no blog ficará para uma outra postagem. 

O artigo da professora Maria Luisa Rodrigues pode ser encontrado acessando este link CLIQUE AQUI. 

O artigo do professor José Brilha anexei â minha pasta no 4shared CLIQUE AQUI

Conheça também o blog do professor Leonardo Figueiredo GEODIVERSIDADEPB

Fica a reflexão. 

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