domingo, 4 de janeiro de 2015

Geoturismo e Meios Interpretativos

A partir do conhecimento do perfil do visitante e da infraestrutura existente, pode-se traçar estratégias de interpretação ambiental com apoio nos meios interpretativos, instrumentos importantes no desenvolvimento da atividade geoturística.

Os meios interpretativos são classificados como personalizados - ou seja, aqueles que dependem do auxílio de outro ser humano (excursões, guias ou condutores, demonstrações folclóricas, palestras, práticas de campo) - e não-personalizados, aqueles que dependem do auxílio de objetos (material impresso, exposições, painéis interpretativos, maquetes, vídeos, websites, jogos e atividades lúdicas) (MOREIRA; LUZ, 2010 ).

Trilhas interpretativas

As trilhas são os meios interpretativos mais utilizados e, quando bem planejadas e implantadas, são os mais eficientes na interação entre o visitante e o patrimônio natural do local visitado, proporcionando uma sensibilização e contribuindo para enriquecer a experiência do visitante. Além disso, elas podem auxiliar no manejo da unidade de conservação.

Trilha guiada no centro do Rio de Janeiro
Foto: Laryssa Sheydder

A partir das trilhas, pode-se contar a história geológica do local visitado em capítulos. No entanto, deve-se apresentar os fatos ordenados, evitando a fragmentação (TILDEN, 1957). Elas podem ser classificadas em guiadas ou autoguiadas. As trilhas guiadas são acompanhadas por um condutor credenciado, que realiza um trabalho educativo no sentido de atuar como intérprete - proporcionando um contato pessoal, estando aberto para questionamentos pelo visitante - e de controlar o público para amenizar impactos negativos, como a degradação antrópica dos pontos visitados. 
As trilhas autoguiadas são aquelas que não exigem o acompanhamento de um condutor e são feitas com o apoio de meios não-personalizados, como painéis interpretativos e materiais impressos. Esse tipo de trilha tem como vantagem a possibilidade de atender a um número maior de pessoas, disponibilizar informações permanentes e dar maior autonomia ao visitante. Para que ela seja implantada, é fundamental ter uma boa recepção ao visitante, fornecendo informações quanto à conduta dentro da área protegida, às características da trilha e às normas de uso e segurança.

Painéis interpretativos

Os painéis interpretativos são os recursos mais comuns encontrados nos geoparques e merecem alguns cuidados na sua confecção, uma vez que seu sucesso depende do público-alvo e da comunicação - ou seja, a clareza do conteúdo abordado, o vocabulário, o estilo, o layout e o material utilizado (DIAS et al; s/d). Um painel muito grande, além de causar um grande impacto ao ambiente, pode tornar a leitura chata e demorada, sendo dada maior preferência aos painéis retangulares e horizontais, mais agradáveis que os verticais ou quadrados (MOREIRA; LUZ, 2010).

Painel Interpretativo do projeto "Caminhos de Darwin" em Niterói-RJ
Foto: Laryssa Sheydder

Palestras

As palestras são meios interpretativos que transmitem a informação diretamente ao visitante de forma informal, gratuita e periódica. Devem ter bem definidos o tema e o tempo de duração (de preferência curto), evitando que o visitante se canse. As palestras precedem as apresentações de vídeos.

Vídeos

Os vídeos são meios interpretativos complementares que, quando produzidos com qualidade, instigam o visitante a conhecer o local. A exibição dos vídeos requer uma sala, localizada geralmente no centro de visitantes.

Material impresso

Os materiais impressos são os folders, guias de campo, cartões-postais e livretos, disponibilizados gratuitamente ou vendidos nas unidades de conservação para os visitantes. São apontados como meios interpretativos não tão eficientes. No entanto, são capazes de fornecer mais informações que os painéis interpretativos.
Segundo Folmann, Pinto e Guimarães (2010), os materiais impressos possibilitam exibir informações mais detalhadas, não interferem no visual do local de visitação, podem ser levados para casa pelos visitantes (contribuindo para a divulgação da unidade de conservação) e possuem um baixo custo. São vistos como uma desvantagem quando descartados pelo visitante como lixo. 

Websites
                                          
A internet é uma das mais importantes ferramentas de comunicação.  Disponibilizar informações sobre a unidade de conservação em websites contribui na sua divulgação em nível regional, nacional e internacional, possibilitando ao visitante melhores condições para a decisão do local de destino, planejamento da viagem e conhecimento sobre os aspectos do local a ser visitado.

Jogos e atividades lúdicas

Interpretação não é só informação - é uma arte que combina outras artes. O objetivo principal não é só o ensino, mas sim desafiar e provocar a curiosidade do visitante. A interpretação ambiental voltada para o público infantil é mais difícil, uma vez que ele requer maior criatividade para atraí-lo. Para as crianças, as atividades devem ser de fácil compreensão e não muito longas, uma vez que elas se cansam rapidamente (MOREIRA; LUZ, 2010).


Centro de visitantes e museus
           
Os Centros de Visitantes ou Museus são locais destinados a oferecer ao visitante informações sobre a importância da unidade de conservação e seu papel na preservação do meio ambiente, disponibilizar informações acerca dos serviços (como valores de taxas de visitação, atividades permitidas, programação dos passeios, funcionamento de restaurantes, hotéis, campping, transporte) e demais atividades de interpretação ambiental (como a exposição de vídeos, palestras, exibição de fotografias, maquetes, mostras científicas, venda de artesanato, folders e guias de campo, etc.). “Depois do portão de entrada, o centro de visitantes deve ser o segundo ponto de parada obrigatória do visitante” (PROJETO DOCES MATAS, 2002, p.75). 

Museu da Geodiversidade - UFRJ
Foto: Laryssa Sheydder

Texto na íntegra no capítulo (de minha autoria) no livro "Questões socioambientais no Meio Norte brasileiro" e também na minha dissertação que pode ser encontrada na página de Downloads.

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