sábado, 14 de março de 2015

Geodiversidade em Cemitérios

O trecho abaixo foi retirado do artigo Geodiversidade no Cemitério Municipal de Curitiba como Elemento Cultural em Análises de Patrimônio, de Antônio Liccardo e Clarissa Grassi e tem como área de estudo o cemitério São Francisco de Paula, em Curitiba, propondo uma discussão sobre a evolução no uso de materiais líticos pela sociedade curitibana, desde 1854, época de seu surgimento, até os dias de hoje, num paralelo com a evolução histórico-social da cidade.

As rochas são a expressão mais evidente da geodiversidade e o seu aproveitamento como material nobre em arquitetura e engenharia civil remonta às primeiras construções do ser humano. Atualmente são consideradas ornamentais, ou de revestimento, as rochas que apresentam, além dos aspectos estéticos, algumas qualidades mecânicas para resistir a esforços ou à ação do tempo e são chamadas genericamente de “mármores e granitos”. Estas rochas geralmente constituem um reflexo da geodiversidade disponível numa região e imprimem nos cenários construídos uma característica de identidade cultural muito particular.

Escultura em mármore de carrara em cemitério de Curitiba
Foto: LICCARDO e GRASSI


Os cemitérios como expressão cultural - no sentido antropológico - são um universo que possibilita o entendimento do mundo dos vivos ao longo das diferentes épocas em que foi utilizado. 
Um olhar mais detalhado sobre os materiais líticos utilizados nas construções pode revelar não só a composição geológica do lugar, como também importantes aspectos históricos e culturais da sociedade que as construiu. O uso de mármores, por exemplo, desde os gregos antigos é um exemplo de distinção entre as rochas, assim como o granito entalhado em sarcófagos egípcios que era transportado de longas distâncias por suas características de durabilidade, em sintonia com as crenças religiosas sobre a eternidade.

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