domingo, 10 de maio de 2015

Entrevista - Doutorado Sanduíche no Exterior

Bom dia!

Entrevistamos duas doutorandas que estão realizando o que é a meta de muitos pós-graduandos no Brasil, um Doutorado Sanduíche no Exterior, isto é, um programa de bolsa de estudos, no qual o estudante tem a chance de fazer parte (durante alguns meses) de seu curso de doutorado em outra instituição. O objetivo é que o estudante possa aprofundar seus conhecimentos, em relação à sua área de pesquisa, conseguir novos recursos e informações para sua tese. 

Vamos às entrevistadas...

Edjane Santos em Serra da Estrela, Portugal.

Edjane Santos. Doutoranda em Geociências (UFPE). Doutoramento Sanduíche na Universidade do Minho, em Braga, Portugal. Período: 6 meses. Orientador no Brasil: Prof. Dr. Gorki Mariano. Orientador em Portugal: Prof. Dr. José Brilha.


Thaís Guimarães em Geopark Terras de Cavaleiros, Portugal

Thaís Guimarães. Doutoranda em Geociências (UFPE). Doutoramento Sanduíche na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Período: 1 ano. Orientador no Brasil: Prof. Dr. Gorki Mariano. Orientador em Portugal: Prof. Dr. Arthur Sá.  

PGG: Como ocorreu o processo de seleção?

E.S: Vim para Portugal com a bolsa de doutorado sanduíche do CNPq, que agora está associado ao Programa Ciências Sem Fronteiras. Fiz para um período de seis meses (de fev. a jul de 2015). A seleção ocorre por edital regular e a submissão dos documentos é realizada diretamente no Portal do CNPq. Entre submissão, avaliação e a provação da proposta decorreram três meses. 

T.G:  Vim pelo Programa de Doutorado Sanduíche da CAPES. Normalmente há uma cota de bolsas por departamento. Tem início com uma seleção prévia do departamento, onde é montada uma comissão para avaliar seu projeto, se aprovado, faz-se a inscrição online, em seguida é feita a homologação pela pró-reitoria e é enviada a documentação para a CAPES, ai é aguardar a resposta. Se positivo, chega à sua casa a carta de concessão e mais outros documentos. Alguns documentos são reenviados online para a CAPES e fica a esperar a implementação da bolsa. 


PGG: Em que consiste sua pesquisa? 

E.S: Minha pesquisa corresponde ao inventário e desenvolvimento de metodologias específicas para a quantificação do patrimônio geológico do semiárido nordestino, além de sugerir um plano de geoconservação para o Agreste de Pernambuco (Brasil). 

T.G: Minha pesquisa é sobre o patrimônio geológico e estratégias de geoconservação e desenvolvimento territorial para o Litoral Sul de Pernambuco (Brasil).

PGG: Como é a rotina de estudos em Portugal?

E.S: Meu trabalho aqui tem sido aperfeiçoar os métodos sugeridos na qualificação, além de concluir as demais correções propostas pela banca. Meu orientador me passa as atribuições da semana e depois marcamos para discutir os resultados. No final de cada reunião, são definidos os próximos passos a serem seguidos. A Universidade do Minho tem uma estrutura muito boa e também tenho aproveitado este período para cursar disciplinas como ouvinte. 

T.G: A rotina normalmente é acertada com o orientador e varia de pessoa para pessoa. Meu trabalho tem sido pesquisa bibliográfica, escrita, participação em eventos e incursões em campo, principalmente em geoparques portugueses para acompanhar de perto o funcionamento. 

PGG: O que esta experiência contribui na sua pesquisa e na sua formação profissional?

E.S: Tem sido um verdadeiro 'divisor de águas'. O professor José Brilha é um orientador muito acessível e a oportunidade de poder absorver um pouco da sua experiência tem sido realmente muito importante para o aperfeiçoamento da pesquisa. Aqui no Departamento de Ciências da Terra tenho tido também o privilégio  de conhecer pessoalmente muitos autores, cujo trabalhos eu já havia utilizado para construir o referencial teórico da tese.

T.G: Olha, é outro mundo. O ritmo de trabalho, outras visões e formas de abordar as temáticas. Vi uma frase uma vez que diz: É importante às vezes se afastar do papel para poder ver o desenho inteiro. Acho que é por ai. Afastar-se do nosso país, do nosso território. Olhar de fora para dentro para tentar entender o todo. 

PGG: Qual a maior dificuldade e o que há de mais prazeroso nesta experiência?

E.S: Acredito que a maior dificuldade tem sido a saudade da família e, no começo, me acostumar com o frio europeu. O que ajudou muito na adaptação é a presença de muitos brasileiros estudando aqui. No Departamento da UMInho conheço estudantes brasileiros de mestrado, doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado. A troca de experiências entre brasileiros sobre a vida e trabalho aqui em Portugal é significativa para nos sentirmos mais acolhidos e o espírito de companheirismo tem sido  dos melhores. No mais, tem sido muito gratificante conhecer novas realidades e, especialmente, o novo, como são trabalhados os estudos sobre o patrimônio geológico  e geoconservação em Portugal. 

T.G: Não vejo dificuldade, mas talvez ficar longe da família seja o que pesa. Por outro lado, o tempo passa rápido. Vim para ficar um ano e já passaram 4 meses, parece que cheguei ontem. O maior prazer mesmo é poder sair da sua zona de conforto e buscar o novo. É ter a possibilidade de aprender com a metodologia de trabalho deles, conhecer pessoalmente pesquisadores que você  só conhece através dos trabalhos. Resumindo, aproveitar o máximo as oportunidades. 

É isso!
Meus agradecimentos à Edjane e Thaís que aceitaram prontamente participar desta entrevista. 


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