quarta-feira, 13 de maio de 2015

Índice de Geodiversidade

A diversidade natural inclui todos os componentes bióticos e abióticos, no entanto, diante da definição clara e precisa da biodiversidade, que inclui uma concepção em níveis, a geodiversidade ainda apresenta algumas deficiências conceituais e metodológicas. 

Os biólogos, após a difusão do termo biodiversidade na Rio92, desenvolveram diversas metodologias de avaliação dos índices de biodiversidade, que podem definir a riqueza biológica, grau de distribuição, raridade, etc. de seus elementos, a exemplo do Índice de Shannon, muito aceito na comunidade científica.

Serrano e Ruiz-Flãno (2007, apud SILVA 2012) defendem que, assim como nos estudos envolvendo a biodiversidade, a escala é uma questão importante no processo de definição dos critérios para avaliação da geodiversidade. Esta avaliação pode ser vista como uma questão geográfica (análise dos componentes da geodiversidade) e do planejamento regional (inserção do conceito de geodiversidade nas estratégias de ordenamento do território).

Mesmo com metodologias de avaliação do índice de geodiversidade ainda não muito satisfatoriamente estabelecidas, existem algumas propostas a exemplo de Kozlowski (2004); Benito-Calvo et al (2009); Hjort e Luoto (2010); Zwoliñski (2010) e Ruban (2010). 

Serrano e Ruiz- Flãno (2009) propuseram alternativas  de avaliação da geodiversidade com base na utilização de modelos de riqueza e densidade, índices de diversidade e modelos de distribuição. O procedimento tem basicamente as seguintes etapas: i) análise de elementos abióticos da área (elementos geológicos, geomorfológicos, hidrogeológicos, edáficos, etc) e; ii) delimitação de unidades geomorfológicas.

Desta forma foi proposta a seguinte equação:


Gd = Eg * R / ln * S

onde: 
Gd = índice de geodiversidade
Eg = número de elementos abióticos
R = coeficiente de rugosidade do terreno 
ln = logarítimo natural
S = área da unidade em km2.


Para se obter o Eg são considerados os já citados elementos abióticos da área e a topografia e variações microclimaticas e topoclimáticas são representadas pelo coeficiente de rugosidade. Sua utilização se justifica pelo papel na organização dos fluxos de energia (insolação e umidade) e matérias (água e sedimentos) nas encostas e consequentemente na diversidade e distribuição de formas e processos. Para o coeficiente de rugosidade são consideradas as seguintes escalas de declividade: 


< 5°      6° a 15°      15° a 25°       26° a 50°       > 50°

  1             2                   3                    4               5 

Feito o cálculo, o índice de geodiversidade é classificado de muito baixo à muito alto de acordo com a escala abaixo: 


< 15               15-25          25-35             35-45          > 45 

muito baixo             baixo          médio             alto             muito alto 


Em se tratando de coeficiente de rugosidade, em que Serrano e Ruiz-Flãno consideram apenas a declividade, encontrei em Christofoletti (1980) outro método de cálculo deste coeficiente. Segundo este autor, a rugosidade combina as qualidades de declividade e o comprimento das vertentes com a densidade de drenagem. Desta forma, 

Ir = H * Dd

onde: 
Ir = índice de rugosidade
H = amplitude altimétrica 
Dd = densidade da drenagem, onde Dd = Lt / A ( Lt, comprimento dos cursos d'água e A, é a área).

Como se vê, há muito o que ser debatido envolvendo este conteúdo. Fica a dica de mais uma vertente de trabalho que tem tudo para ser produtiva. 

Após a mensuração da geodiversidade de uma área, são encontrados os hot spots dessa geodiversidade. A partir desta avaliação pode ser aplicada uma metodologia de catalogação de locais de relevante interesse que serão, de acordo com o valor, considerados um geopatrimônio.

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