quinta-feira, 30 de julho de 2015

Inventário dos LIG's da Espanha

Conheça a base de dados do Inventário dos Locais de Interesse Geológico espanhol. Ao todo são 2837 sítios cadastrados em uma lista que contém detalhes do inventário (localização, fisiografia, situação geológica, interesse, uso e gestão, dentre outros) e o mapeamento. 

Clique na imagem para acessar o aplicativo



quarta-feira, 29 de julho de 2015

Geoparque é Tema na Revista Ciência Hoje

A revista Ciência Hoje publicou uma matéria sobre geoparques destacando o trabalho da Rede Mundial de Geoparques, o geoturismo e o único geoparque brasileiro, o Geopark Araripe. 

“Os geoparques possuem uma gestão diferenciada, que busca a valorização dos atrativos turísticos – não só geocientíficos – e possibilita a geração de renda e opções de desenvolvimento da economia local e regional de maneira sustentável”, explica Fernando César Manosso, geógrafo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e pesquisador do geoturismo.



Classificação de Montanhas pela Altura

Pico da Bandeira, ES/MG

As pessoas leigas fazem confusão quando falam em colina, morro, pico, montanha, monte, serra, etc. Existem algumas formas para classificar relevo: em função da origem, a exemplo de Fairbridge (1968); pode ser do ponto de vista estético; pela altura/altitude e pela forma. King (1967) elaborou uma classificação que leva em conta apenas as montanhas produzidas nos cinturões orogenéticos, deixando todos os outros tipos de fora. Baseados nessa classificação, ou não, alguns geólogos e geógrafos dizem que não existem montanhas no Brasil, o que é um grande erro, porque pensam que só existem montanhas em cinturões orogenéticos ativos. Como este processo é considerado extinto no país, portanto, segundo eles, não existiriam montanhas. Porém, eles nem sempre consideram que em zonas de divergência de placas também são produzidas cadeias de montanhas pelo processo epirogenético e ainda existem diversos tipos de montanhas produzidos por outros processos.

Para a geomorfologia, em geral considera-se montanha como uma elevação cuja altura em relação à base é maior que 300 metros e com vertentes de inclinação acentuada. Sendo assim, a elevação precisa estar a pelo menos 300 metros acima do relevo médio circundante. Esta é a forma mais simples para classificar montanhas, de acordo com Bates & Jackson (1976) e Price (1981). Porém, não é definido qual é a declividade mínima das vertentes. As elevações que estiverem abaixo deste limite podem ser consideradas morros ou, se for o caso, planícies, planaltos, altiplanos e platôs. 

Muitas vezes não há consenso em relação a tais classificações porque cada profissional pode ter um objetivo específico e as próprias definições para montanhas e morros em alguns dicionários não são precisas. Para um simples observador ou mesmo para os montanhistas, pode parecer simples identificar uma montanha na paisagem porque eles possuem um objetivo claro e específico. Por exemplo, em áreas planas, uma elevação isolada de 200 m de altura se destaca na paisagem e isso pode influenciar uma percepção distorcida aos olhos de um observador não treinado. De fato, isso pode superestimar a sensibilidade humana devido à falta de um referencial, o que não ocorre normalmente numa região acidentada. Para os índios brasileiros da nação Tupi, que habitavam uma boa parte das áreas montanhosas do Sudeste, não existia uma distinção entre morro e montanha, tudo era “ita” quando a rocha aflorava, de acordo com Faria (2005). Se de um lado classificar montanhas do ponto de vista popular passa pela percepção que o observador tem, quando se tenta classificá-las tecnicamente, podem surgir algumas dificuldades.

Para classificar uma montanha deve ser levado em conta o relevo relativo, a declividade do terreno e também a morfologia. Porém, se a definição de montanha é bem clara, o mesmo não ocorre quando se tenta classificá-las em: baixas, médias e altas, e este é o objetivo deste trabalho, que sugere uma classificação.

Artigo de Antônio Paulo Faria


sábado, 25 de julho de 2015

Geoindicadores

A crescente pressão ambiental no planeta levou ao desenvolvimento de indicadores ambientais que vieram a permitir informações de caráter técnico e científico com parâmetros que representam os aspectos do meio ambiente e a relação entre as atividades humanas e os recursos naturais. Para Cunha e Guerra (1996) a degradação ambiental não pode ser analisada apenas sob o ponto de vista físico, uma vez que deve ser entendida de forma integrada e holística, levando em consideração as  relações existentes entre a degradação natural e a provocada pela sociedade. 

O conceito de Geoindicadores foi introduzido em 1996 a partir da publicação do livro Geoindicators: assessing rapid environmental changes in Earth systems, de Berger e Iams, que resultou numa lista de 27 geoindicadores. A compilação destes indicadores encontra-se disponível no site da International Union of Geological Sciences, com os parâmetros de específicos para cada, que podem ser selecionados e modificados conforme o objetivo do trabalho e no qual pode-se saber onde, quando e como cada parâmetro pode ser medido, a sua significação para a avaliação ambiental, a causa e informações adicionais. 

Para Berger (1996), geoindicadores são medidas de superfície, ou próximos da superfície, de fenômenos e processos geológicos que variam significativamente no período de 100 anos ou menos e que provêem informações para avaliações ambientais. Este conceito reúne ferramentas normativas em geomorfologia, hidrologia, geoquímica, geofísica, sedimentologia e outras áreas em formato útil a profissionais ambientais e administradores, convencendo da importância de processos geológicos rápidos e determinando a condição de paisagens e ecossistemas, e inspecionando o desenvolvimento de atividades como mineração, silvicultura e construção. 

Geoindicadores
Química e padrões de crescimento de corais
Crostas e fissuras na superfície terrestre
Formação e reativação de dunas
Magnitude, duração e frequência de tempestades de areia
Atividades em solos congelados
Flutuações das gelerias
Qualidade da água subterrânea
Qualidade da água subterrânea em zona não saturada
Nível da água subterrânea
Atividade cárstica
Nível e salidade dos lagos
Nível relativo do mar
Sequência e composição dos sedimentos
Sismicidade
Posição da linha de costa
Colapso das vertentes
Erosão dos solos e sedimentos
Qualidade do solo
Fluxo fluvial 
Morfologia dos canais fluviais
Acumulação e carga de sedimentos nos rios
Regime da temperatura em subsuperfície
Deslocamento da superfície
Qualidade da água superficial 
Atividade vulcânica
Extensão, estrutura e hidrologia de áreas úmidas
Erosão eólica

Os Geoindicadores devem contribuir na resposta de quatro questões básicas: 
  1. O que está acontecendo no ambiente? (condições e tendências)
  2. Por que está acontecendo? (causas humanas e/ou naturais)
  3. Por que é importante? (efeitos ecológicos, econômicos e na saúde) 
  4. O que se pode faze acerca disso? (implicações no planejamento e nas políticas)
Leia Mais!







quinta-feira, 23 de julho de 2015

Livro: Patrimônio Espeleológico em Rochas Ferruginosas: uma apresentação da obra - Download

Vamos atualizar a biblioteca? Livro novinho, saindo do forno e com uma tipologia do geopatrimônio pouco explorado por nossa temática, o patrimônio espeleológico. 

O patrimônio espeleológico é definido como um conjunto de elementos bióticos e abióticos, socioeconômico, histórico e culturais, subterrâneos ou superficiais, representados pelas cavidades naturais subterrâneas, ou a estas associados, incluindo as cavernas, também designadas regionalmente como grutas, lapas, tocas, abismos, furnas e buracos, seu ambiente, conteúdo mineral e hídrico, e as comunidades bióticas ali encontradas e o corpo rochoso onde as mesmas se inserem , desde que sua formação tenha sido por processos naturais, independentemente de suas dimensões ou do tipo de rocha encaixante (CONAMA, 2004 apud RUCHKYS et al, 2015). 


Clique na imagem para baixar o livro


Boa leitura e parabéns aos autores!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O Brasil na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO

Patrimônio pode ser considerado o bem ou conjunto de bens naturais ou culturais, associado à uma herança comum, reconhecido por uma determinada localidade, região, país ou para a humanidade, e que devem ser protegidos para o usufruto de todos os cidadãos. Diz-se daquilo que fala sobre a identidade de um grupo e possui algumas tipologias como natural ou cultural e material ou imaterial.

Integram o patrimônio cultural todos os bens materiais e imateriais que tem relevância para a compreensão da identidade sociocultural de um povo, que pode ser de interesse histórico, arqueológico, arquitetônico, artístico, etnográfico, dentre outros; que refletem valores de memória, autenticidade, originalidade, rareza, espetacularidade, e singularidade do exemplar. Por sua vez, o patrimônio natural compreende o conjunto de bens bióticos e abióticos construídos ao longo do tempo por processos naturais, que adquirem um valor excepcional do ponto de vista científico, didático e estético. 

A Lista do Patrimônio Mundial é elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação de acordo com dez critérios, que são julgados por especialistas na área. O primeiro sítio brasileiro, aprovado em 1980 foi a Cidade Histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais. Desde então outros doze sítios do Patrimônio Cultural foram aprovados. 


Praça Tiradentes e Museu da Inconfidência, Ouro Preto, Minas Gerais
Foto: Laryssa Sheydder. 


O Brasil possui atualmente 19 sítios cadastrados na lista, sendo o último a paisagem urbana do Rio de Janeiro, então denominada “Paisagens cariocas, entre o mar e a montanha", que engloba a cúpula granítica do Pão-de-Açúcar, aprovada em 2012. Neste exemplo, temos uma clara integração do patrimônio cultural com o natural, no entanto, o critério preponderante foi o cultural. 

Mígon (2014) salienta, o valor cultural das formas de relevo tem aspectos em comum com o ecológico. Muitas formas e paisagens são base necessária e muitas vezes inseparáveis do aspecto cultural, religioso e histórico, no entanto, muitas vezes, na avaliação, é levado em consideração apenas os aspectos estéticos destas formas e paisagens, negligenciando-se o valor científico.

Entre os dez critérios, o que mais deixa claro a importância da geodiversidade é o (viii)  ser um exemplo excepcional representativo de diferentes estágios da história da Terra, incluindo o registro da vida e dos processos geológicos no desenvolvimento das formas terrestres ou de elementos geomórficos ou fisiográficos importantes. 

A lista do Patrimônio Natural dos sítios brasileiros é composta por outros sete sítios e em nenhum deles há destaque para a geodiversidade, havendo uma predominância de seus aspectos ecológicos e biológicos. a exemplo, o Parque Nacional do Iguaçu, as Áreas Protegidas do Cerrado, o Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, dentre outras.


Parque Nacional Foz do Iguaçu
Fonte: unesco.org.br

Corroborando com esta situação Mígon (2014) afirma que no contexto da Convenção do Patrimônio Mundial, o significado das formas de relevo para os processos biológicos e ecológicos é o que dá claramente sustento a eles. Os aspectos geomorfológicos podem contribuir para um alto grau de endemismo biológico, explicar o mosaico de habitats e adaptações específicas do mundo vivo, mas não necessariamente se configuram como significativas por sua existência em si, por isso muitos locais espetaculares são listados como bens do Patrimônio Mundial usando-se do valor ecológico e não os aspectos do geomorfológico. 


O site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) também contém mais detalhes sobre cada um dos sítios do Patrimônio Mundial no Brasil.

  

domingo, 19 de julho de 2015

Roteiro Geoturístico do Centro Histórico de São Paulo

Em parceria com outros quatro pesquisadores, a geóloga Eliane Del Lama, elaborou um roteiro do centro antigo da cidade de São Paulo no qual chama a atenção para os tipos de rochas mais usados na construção e na ornamentação de edifícios e obras de arte que integram o que ela chama de patrimônio geológico construído paulistano.

Seu objetivo, ao contar um pouco da história de materiais que ajudaram a fazer a história de São Paulo, é mostrar que a geologia está mais próxima do cotidiano das pessoas do que elas imaginam. “Em geral se associa a geologia à prospecção de petróleo e de minérios, mas o trabalho do geólogo vai muito além”, diz ela, que é professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP).

O roteiro geoturístico do centro antigo de São Paulo elaborado por Eliane e seus colaboradores foi publicado em junho na revista Geoheritage. Ele indica 19 pontos de visitação ao longo de 6,5 quilômetros, que podem ser percorridos a pé ou acessados de metrô. São construções e monumentos produzidos principalmente no final do século XIX e começo do XX, quando São Paulo, erguida à base de taipa de pilão (barro amassado sustentado por madeira), deu espaço à cidade de alvenaria, embrião da metrópole. “Selecionamos os prédios e monumentos bem conhecidos que incluíam a maior diversidade de pedras”, conta Eliane.

Roteiro Geoturístico de São Paulo
(clique na imagem para ampliar)

O roteiro que Eliane produziu com Denise Bacci, Lucelene Martins, Maria Motta Garcia, da USP, e Lauro Dehira, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), não é o primeiro. Em 2006 André Stern e colegas da USP e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) haviam sugerido um passeio pelas ruas do centro velho paulistano, com um número menor de pontos turísticos.

Quase inexistentes no Brasil, esses roteiros são uma releitura das caminhadas geológicas formuladas para Londres nos anos 1980 pelo geólogo Eric Robinson. Antes de São Paulo, havia roteiros propostos para Curitiba e Rio de Janeiro. No caso de Eliane, a produção do roteiro é um desdobramento de uma mudança de rumo em suas pesquisas.


Essa atividade, de início despretensiosa, levou-a a realizar análises mais profundas da saúde de obras que integram o imaginário paulistano – a mais conhecida é o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. Esse trabalho a fez concluir que é necessário divulgar a geologia para a população e, assim, tentar reduzir o vandalismo contra os monumentos da capital. “O melhor jeito de conservá-los”, afirma Eliane, “é ensinar as pessoas a gostarem deles, porque só se preserva o que se conhece”.


sábado, 18 de julho de 2015

Geodiversidade e Patrimônio Geológico de Salvador (BA)

A cidade de Salvador, além a incontestável importância histórico-cultural, possui relevância geológica a nível internacional. A tese de doutoramento da geógrafa Acácia Bastos Pinto, defendida na Universidade Federal da Bahia, teve como objetivo geral o inventário do patrimônio geológico da cidade de Salvador, com a finalidade de difundir e popularizar sua geodiversidade, de forma a promover o conhecimento geológico e a importância da geoconservação junto ao público em geral. 

Foi realizado um inventário dos geossítios in situ:

i) Conglomerados da Formação Salvador na Ponta de Humaitá; 
ii) Falha de Salvador na região do Mercado Modelo;
iii) Dobras em granulitos na Praia da Barra;
iv) Diques máficos nas praias de Ondina, Paciência e Jardim Alah;
v) Lagoas e dunas do Parque Abaeté;
vi) Recifes de corais da Praia do Forte.

Falha Geológica de Salvador (BA)

Foram também selecionados os elementos culturais que compõem o patrimônio geológico ex situ

i) Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia;
ii) Catedral Basílica Primacial de São Salvador
iii) Igreja da Ordem 1° de São Francisco;
iv) Igreja da Ordem 3° de São Francisco;
v) Centro Gemológico da Bahia;
vi) Museu Geológico da Bahia.

Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia - Salvador (BA)

O inventário foi realizado com base nos seguintes pré-requisitos: geográfico, geológico, educativo, estético e singular, histórico-cultural e turístico. 
A quantificação foi feita com base no modelo do aplicativo GEOSSIT, do Serviço Geológico do Brasil.

Confira o trabalho completo aqui. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Geopark Araripe Será Reavaliado pela Rede Global de Geoparques

geoparkararipe.org.br

O Geopark Araripe passará por uma nova avaliação da Rede Global de Geoparques no próximo dia 21 de julho. Dois avaliadores, o geólogo e paleontólogo Ilias Valiakos e a geóloga Kirstin Lemon farão vistorias nos projetos e cumprimento das metas nos seis municípios que compõe o geoparque, entre elas, a melhoria nos receptivos (acesso, estrutura, sinalização, ect) dos geossítios. 

Os Geoparks reconhecidos pela Rede Global são avaliados a cada quatro anos para que seja renovada a chancela do Selo Verde, onde são exigidos que se cumpram pelo menos 80% das metas estabelecidas nos últimos quatro anos. 

Segundo o coordenador geral, Idalécio Freitas, este é um momento muito importante para o Geopark Araripe, que comemora no próximo ano, 10 anos de criação, sendo o único geoparque brasileiro reconhecido pela Rede Global. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

XVI SBGFA - Considerações

Olá amigos! 

Encerrou hoje o XVI Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, realizado na cidade de Teresina, no estado do Piauí. Sou suspeita para falar, afinal, sou teresinense, mas foi um dos eventos mais bem organizados que já participei, planejado nos mínimos detalhes, desde o cafezinho à escolha dos palestrantes. 

Como eu havia publicado anteriormente, esta foi a primeira edição que a temática da Geodiversidade fez parte da programação deste evento que é um dos mais importantes da Geografia Físíca no Brasil. Deixo desde já os meus agradecimentos à professora Cláudia Sabóia por ter apoiado nossa temática e dado esta oportunidade. 

Entre as mais diversas mesas-redondas, foram discutidos assuntos clássicos e relevantes à Geografia (Cartografia, Geotecnologias, Estudos de Impactos Ambientais, Bacias Hidrográficas, Biogeografia, Riscos Geomorfológicos, Mapeamento Geomorfológico, Solos, Climas, dentre outros), tivemos a mesa-redonda "Patrimônio Geológico e Geoturismo: a importância das estratégias de geoconservação", presidida pelos Professores Doutores Marcos Nascimento (UFRN), Jasmine Moreira (UEPG) e Kátia Mansur (UFRJ).


Mesa-redonda no XVI SBGFA
Foto: Laryssa Sheydder
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