quarta-feira, 16 de setembro de 2015

III Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico - Relato

Relato sobre o III Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico, ocorrido entre os dias 8 e 13 de setembro, em Lençóis (BA). 

Texto de Rafael C. Soares

Todo tema novo inspira novas ações, e trazem novos desafios. Academicamente, isso não é diferente. Quem tem a iniciativa assume a responsabilidade de criar, apresentar, dialogar, formatar, fazer-acontecer, ao mesmo tempo que tem que estar aberto às críticas que sempre acontecem. E assim a ação cresce, ou morre.

 O III GeoBRheritage, além de um sucesso, foi um divisor de águas. Primeiro, porque reconheceu o mérito daqueles que construíram a ideia a partir da pedra bruta, e dos que na segunda edição viriam a propor uma Associação, a partir da compreensão de que o tema Patrimônio Geológico mereceria um tratamento especial. Segundo, porque representou a continuidade de diálogos necessários para uma evolução, um direcionamento que significasse democraticamente atender aos interesses do grupo, acima das vontades pessoais. E esse sentimento predominou.

Mesa-redonda "Geoparques do Brasil: para onde vamos?" Na foto: Úrsula, Dourado, Patrício, Dante, Kátia, Gilson e Marcos

As mesas redondas foram muito bem propostas. Temas como “Novos rumos em Geodiversidade”, “Geodiversidade em caixinhas”, “Geoparques do Brasil: para onde vamos? ”, despertaram debates e embates muito interessantes e positivos, com respeito e argumentos, como o protocolo pede. 

Algumas falas foram bastante expressivas e, na minha opinião, merecem destaque: Diamantino Pereira (UMinho, Portugal) com uma belíssima exposição dos paradigmas e conceitos em Geodiversidade; Kátia Mansur (UFRJ) demonstrando um belíssimo exemplo de trabalho a partir do Museu da Geodiversidade; Ismar Carvalho (UFRJ), com uma exposição “sui generis”, inteligentemente provocativa; Antônio Dourado (CPRM) e o exemplo de que precisamos de espíritos visionários para que o novo possa se materializar. Incrível a sua atuação à frente da ideia do Geoparque Morro do Chapéu; Marcos Nascimento (UFRN) e o projeto Geoparque Seridó que se apresenta cada vez mais forte, e claramente executado dentro de um processo bem democrático; Patrício Melo (URCA) e o Geopark Araripe, esclarecendo dúvidas sobre os processos e caminhos que o Araripe trilhou, e expondo o que houve de evolução;UrsulaRuchksys (UFMG), mencionando que existem outros caminhos igualmente interessantes para projetos que não necessariamente têm que optar pelo caminho de um geoparque UNESCO. O foco é a viabilidade; Gilson Burigo (UEPG) com uma apresentação bem relevante sobre Geodiversidade urbana, além de se disponibilizar na equipe que organizará o próximo Simpósio, no Paraná. E claro, não poderia deixar de mencionar a professora Marjorie Nolasco (UEFS) pela organização, e por ter se demonstrado uma guerreira a frente deste evento.

Essa opinião sobre as mesas foi reforçada, conversando com alguns participantes. E aproveitando para tratar de pontos negativos nessas conversas, se sobressaíram os seguintes: 1- Local de exposição dos banners (muitos rasgaram com o forte vento, mas felizmente conseguiram pensar numa estratégia de contenção do problema); 2- Repetição de alguns debatedores em mesas diferentes (poderia democratizar mais isso, e convidar outras pessoas a fim de não repetir) 3- Falta de espaço para apresentações orais de trabalhos completos.

Quando superamos desafios, o difícil, torna-se belo. 

O evento também fez algumas homenagens e premiações, como a de nosso amigo Marcos Nascimento que recebeu o prêmio "Augusto Pedreira - GuGu" pela publicação do 1° livro brasileiro sobre a temática "Geodiversidade, geoconservação e geoturismo: trinômio importante para a proteção do patrimônio geológico brasileiro". Parabéns Marcos! Mais do que merecido! 


Premiação do Prof. Dr. Marcos Nascimento

O Geopark Araripe também foi gratificado pelo prêmio "GuGu", na categoria Institucional/Divulgação, referente ao ano de 2011. 

Sabe-se que foram muitas as premiações, mas não conseguimos elencar todas. 

Acredito que a partir do III GeoBRHeritage o que foi proposto em edições anteriores amadureceu, o que tinha que ser revisto/modificado o foi. E se ganhou contornos sólidos e consistência para o porvir.

Em 2017 o Simpósio ocorrerá em Ponta Grossa (PR) e em 2019 no Geopark Araripe, em Crato (CE).

E vamos em frente... 

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